Conselho do São Paulo aprova impeachment e afasta Julio Casares da presidência

Julio Casares foi afastado da presidência do São Paulo nesta sexta-feira – Divulgação/SPFC

O presidente do São Paulo, Julio Casares, foi afastado do cargo nesta sexta-feira após o Conselho Deliberativo do clube aprovar seu impeachment durante reunião no salão nobre do Morumbis. Dos 235 conselheiros presentes, 188 votaram pela destituição, 45 foram contra e dois votaram em branco, atingindo o quórum necessário. Com o afastamento, o vice-presidente Harry Massis Júnior assume temporariamente o comando do Tricolor.

O encontro ocorreu de maneira cordial entre os conselheiros, com Casares e seus advogados apresentando defesa antes das manifestações dos signatários do pedido de impeachment. Do lado de fora, no entanto, o clima era de pressão intensa, com torcedores do São Paulo utilizando faixas e fogos de artifício pedindo a saída do dirigente. A mobilização cresceu após denúncias e investigações conduzidas pela Polícia Civil, que motivaram protestos e cobranças de torcidas organizadas como Independente e Dragões da Real.

A tramitação do processo foi marcada por disputas internas e judicialização. Nos últimos dias, o presidente do Conselho, Olten Ayres, havia acatado pedido da defesa para exigir votação presencial e quórum de 75% para aprovação. A oposição recorreu à Justiça e obteve decisão permitindo votação híbrida, com aprovação condicionada a dois terços dos votos. O São Paulo contestou, mas o recurso foi negado. Nesse período, Casares perdeu apoio inclusive entre aliados.

Com o afastamento, Harry Massis Júnior, de 80 anos, empresário e sócio desde 1964, assume o clube até o fim do mandato, em 2026, como prevê o Estatuto Social. Conselheiro vitalício, Massis já exerceu diferentes funções no clube, entre elas diretor adjunto de futebol (2001–2002) e diretor adjunto administrativo (1992–1993). O próximo passo será a convocação de uma Assembleia Geral dos Sócios, última instância do processo. Caso os associados confirmem o impeachment, Casares perde definitivamente o mandato, mas permanece como sócio apto a disputar futuras eleições. Se os sócios rejeitarem a destituição, ele retornará ao cargo.

A crise política no São Paulo ganhou força em 2025 após ruptura entre Casares e o então diretor de futebol, Carlos Belmonte, seguida pela goleada de 6 a 0 para o Fluminense e pela saída de outros dirigentes. No fim daquele ano, a Polícia Civil passou a investigar suposto esquema de venda ilegal de ingressos para shows no Morumbis e, posteriormente, possíveis irregularidades na venda de jogadores iniciadas em 2021. Relatórios do Coaf apontaram ainda depósitos em dinheiro que somaram R$ 1,5 milhão na conta de Casares entre 2023 e 2025. Às vésperas da votação, o Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para apurar suposta gestão temerária e indícios de favorecimento, listando nomes de dirigentes e autoridades do futebol, incluindo Samir Xaud (CBF) e Reinaldo Carneiro Bastos (FPF). A defesa do presidente afirma não haver irregularidades.

Julio Casares foi eleito em 2020, reeleito em 2023 e conquistou três títulos durante sua gestão: o Campeonato Paulista (2021), a Copa do Brasil (2023) e a Supercopa do Brasil (2024).

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