• Por Thaís Basso Amaral

Para se ter um bom desempenho na cria, além dos aspectos relacionados à fêmea (monitorar a condição corporal das fêmeas, ajustar o manejo nutricional, descartar as fêmeas vazias), deve-se considerar outro aspecto importante que é a seleção dos reprodutores. Esta seleção precisa ser baseada na avaliação genética e no tipo de reprodução que será adotada: Monta Natural ou Inseminação Artificial.

Thaís Basso Amaral é médica-veterinária, pesquisadora da Embrapa – Divulgação

Ao se optar por monta natural, vários aspectos devem ser considerados, um deles é a escolha do reprodutor, que deve ser embasada na avaliação genética. O touro tem a oportunidade de deixar de 100 a 300 filhos, dependendo da relação touro:vacas, das taxas de prenhez obtidas e do tempo de permanência na propriedade, em torno de seis estações de monta. Tais características o tornam responsável por mais de 90% do ganho genético do rebanho, apesar de uma presença física de apenas 5%.

A aquisição desses touros para uso em rebanhos comerciais é compensadora, desde que suas características e preços sejam adequados. Para saber o quanto se pode pagar por um touro, aspectos como tipo de rebanho em que será utilizado, número de vacas com as quais será acasalado, tempo de permanência na fazenda e taxa de prenhez média da propriedade, além, obviamente, de sua qualidade genética, devem ser observados. Porém, a oferta de touros melhoradores ainda não atende às necessidades do rebanho brasileiro, embora esteja em crescimento com a adesão de grande número de criadores a programas de melhoramento genético.

Outra forma de acesso a touros com alto valor genético acontece por meio da inseminação artificial. Segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA, 2018), 8,5 milhões de doses de sêmen de gado de corte foram comercializadas em 2017. Hoje, cerca de 12% das matrizes de corte são inseminadas, e, destas, a IATF chega a quase 80% das inseminações. São várias as vantagens do uso da IATF, dentre elas: a eliminação da necessidade de observação de cios; a curta duração do período de inseminação; altas taxas de prenhez no início da estação de monta; e, consequentemente, concentração dos partos no início da estação de nascimentos. Atualmente, os sistemas mais utilizados são de 1 (uma) IATF mais repasse com touro, 2 (duas) IATFs mais repasse com touros ou ainda, recentemente, 3 (três) IATFs sem repasse.

Diante dessas variáveis, torna-se um desafio escolher qual técnica reprodutiva adotar e a decisão acaba sendo tomada de forma empírica ou baseada somente nos aspectos técnicos, sem considerar os econômicos. Neste contexto, o Aplicativo Cria Certo foi desenvolvido para auxiliar o produtor em questões similares.

Dentre as suas funcionalidades, é possível calcular os custos e os benefícios dos principais tipos de reprodução existentes: (1) Monta Natural, (2) Inseminação Artificial em Tempo Fixo mais Repasse com Touro, (3) Duas Inseminações em Tempo Fixo mais Repasse com Touro e (4) Três Inseminações em Tempo Fixo. Há funções que calculam o custo total do método, o custo por prenhez, bem como os benefícios do uso de touros melhoradores como valor adicional por bezerro e valor total.

Também é possível salvar várias simulações para comparar os diferentes métodos de reprodução e, desta forma, escolher qual é o mais adequado para sistema de produção em questão.

O aplicativo Cria Certo foi desenvolvido pela Embrapa Gado de Corte em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e está disponível para acesso gratuito no site (www.criacerto.com). O acesso é via dispositivos móveis (Android e IOS) e desktops.