Com a seca, quebra estimada até o momento é de 6,65%, e pode ser ainda maior em decorrência de um segundo veranico

Na manhã desta quinta-feira a Aprosoja/MS realizou a abertura oficial da colheita de soja e plantio de milho no estado – Foto: Foto: Anderson Viegas/G1 MS

Cerca de 14% da área da safra 2018/2019 de soja de Mato Grosso do Sul já foi colhida. Em razão de um veranico – fenômeno que mistura estiagem prolongada com altas temperaturas, a quebra estimada até o momento é de 6,65%, com o volume caindo de 9,858 milhões de toneladas para 8,947 milhões de toneladas. As informações são do G1/MS.

A perda, entretanto, pode ser ainda maior em decorrência de um segundo veranico. A informação foi apresentada nesta quinta-feira (31), pelo presidente da Associação dos Produtores da oleaginosa (Aprosoja/MS), Juliano Schmaedecke, na fazenda Luana, em Campo Grande, na abertura oficial da colheita de soja e plantio de milho no estado.

“Estamos muito apreensivos quanto a esse segundo veranico. Tem algumas regiões que estão de 15 a 20 dias de seca. Se continuar em fevereiro a quebra pode se agravar bastante”, diz.

Schmaedecke explica que o maior problema está em regiões que já foram atingidas pelo veranico no fim do ano passado. “Sofreram em dezembro do ano passado e o escape seria a segunda época, mas o ‘sol’ está tomando essa soja deles”.

Na fazenda Luana, onde foi realizada a abertura, o produtor Bruno Maggioni diz que a propriedade enfrentou o problema com o veranico do ano passado.

“Começamos a plantar em 22 de setembro. Os primeiros talhões sofreram no enchimento dos grãos e vamos colher 30% menos que o esperado”, diz, completando que com a produção escalonada a quebra total deve chegar a 10% no total dos 1.500 hectares cultivados.

Da safra atual, Maggioni diz que já vendeu antecipadamente 26 mil sacas. “O cenário da soja estava um pouco fraco. A safra americana foi até boa o que diminuiu um pouco o preço. Acredito que com as perdas que ocorreram no estado e no país os valores devem melhorar um pouco”.

No estado, segundo a Aprosoja/MS, a venda antecipada atingiu 39,1%, o que representa 3,553 milhões de toneladas, pouco acima das 2,940 milhões de toneladas do mesmo período da safra passada.

Milho

O presidente da Aprosoja/MS diz que o prejuízo na safra de soja não deve se refletir no ciclo de inverno de milho.

“O produtor faz programação praticamente com um ano de antecedência. Quando chega na metade de sua colheita de soja ele já sabe o que vai fazer e está com os insumos comprados. Para essa safra de inverno o produtor está com tudo comprado e em casa”, ressalta.

Na segunda safra de inverno deste ano, a projeção, conforme Schmaedecke é de um aumento de 5,73% na área plantada, que vai passar de 1,814 milhão de hectares para 1,918 milhão de hectares. Já a produção deve crescer 14,85%, com a cultura se recuperando da quebra do ciclo passado. O volume deve passar de 7,838 milhões de toneladas para 9,002 milhões de toneladas.

O secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, destacou que a projeção de um grande aumento na produção do cereal surpreendeu o governo.

“A safra sul-mato-grossense de soja deve crescer de 5% a 6% em área e isso é fundamental, termos perspectiva de incremento de produtividade. Temos perdas pontuais em algumas áreas, mas mesmo assim temos perspectiva de uma produção expressiva e soja suficiente para atender nossas exportações e o mercado interno. Entretanto é a projeção da segunda safra de milho que nos deixou positivamente surpresos”, diz.

Financiamento

O financiamento da agricultura foi um dos assuntos mais discutidos durante o evento, depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizou que pretende aumentar os juros e reduzir o volume de recursos para o crédito agrícola.

“O ministro tem dado alguns sinais que são entendidos pelo setor produtivo de que pretende elevar os juros e reduzir o volume de recursos. O que são duas variáveis complicadas”.

Verruck diz que o governo do estado tem trabalhado principalmente com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para mudar esse quadro.

“Temos colocado que é necessário pelo menos criar uma transição para termos alternativas para que os bancos privados possam operar nos financiamentos e para que se tenha disponibilidade de crédito. Acho que essa é a solução de mercado para resolver isso. O Brasil está em processo de crescimento econômico e não pode abrir mão da agricultura para essa retomada”.

O presidente do Sistema Famasul, Mauricio Saito, também manifestou preocupação com o assunto. “Talvez exista a necessidade de um conhecimento maior por parte do governo federal, porque é uma questão que extrapola o lado financeiro do produtor. Temos toda uma questão envolvendo o país, porque é o agro que tem dado o suporte para a retomada econômica”.