O Liverpool poderia ter garantido matematicamente seu primeiro título inglês em 30 anos nesta segunda-feira (16) no clássico contra o Everton, mas, devido à pandemia do coronavírus, a consagração dos Reds precisou ser adiada, correndo até o risco de não acontecer.

Para se proclamar campeão em Goodison Park, o Liverpool precisava também que o Manchester City perdesse contra o Burnley no sábado (14). Mas, mesmo se este resultado não se confirmasse, os Reds praticamente têm o título da Premier League no bolso, já que contam com 25 pontos de vantagem sobre os Citizens.

A princípio, o Campeonato Inglês está suspenso até 4 de abril, mas as incertezas ligadas ao coronavírus, que praticamente paralisou o esporte mundial, coloca em dúvida a conclusão da competição.

Neste contexto de crise, o Liverpool quer ter um comportamento digno, sem cair no que seria uma frustração legítima por não poder concluir um campeonato que estava praticamente selado.

“Como já disse antes, o futebol é sempre a mais importante das coisas não importantes”, declarou na sexta-feira (13) em mensagem para os torcedores o técnico do Liverpool, o alemão Jürgen Klopp.

Nenhuma dúvida

“Mas hoje, o futebol e os jogos não têm nenhuma importância verdadeira. Se há uma escolha entre o futebol e o bem comum, não tenho nenhuma dúvida, realmente nenhuma”, completou”.

Um discurso que rendeu a Klopp os agradecimentos do diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS), Adhanon Ghebreyesus, que chamou a fala de uma “potente mensagem”.

Os torcedores do Liverpool, que sonham com um primeiro título inglês em três décadas, também se mobilizaram contra a epidemia e suas consequências.

O grupo ‘Spirit of Shankly’ -nome do mítico técnico dos Reds entre 1959 e 1974- pediu ao clube “segurança para que os funcionários do clube que não são jogadores não fiquem sem salários devido ao cancelamento dos jogos”.

A suspensão do futebol acontece logo após o Liverpool ser eliminado pelo Atlético de Madrid na Liga dos Campeões, competição da qual era o atual campeão. Poucos dias antes, caiu na Copa da Inglaterra ao perder para o Chelsea.

Uma má fase em meio a uma temporada fantástica dos Reds, impressionantes na Premier League graças aos pilares do time, o goleiro Alisson, o zagueiro Virgil van Dijk e os atacantes Roberto Firmino, Mohamed Salah e Sadio Mané.

Triunfo amargo

Diante das incertezas sobre as próximas semanas e sobre a capacidade para reagendar as nove rodadas da Premier League restantes, a hipótese de um cancelamento puro e simples da temporada ganha seguidores.

Apesar da relevância de não se ter um campeão, cada vez mais clubes preferem se organizar pensando no longo prazo, na próxima temporada, a navegar em dúvidas sobre quando poderão voltar a jogar.

Se as regras não forem claras num momento tão peculiar, o Liverpool não deveria ser privado de um título praticamente garantido, num momento em que já foram disputados três quartos da temporada, 29 de 38 rodadas.

“Todo mundo no futebol sabe da temporada fantástica que fizeram e a equipe formidável que são”, admitiu no domingo o presidente do Brighton, Paul Barber. “Seria incrivelmente injusto que o título não fosse atribuído ao Liverpool”, completou.

Mas garantir o título em reuniões entre dirigentes ou no tribunal, sem poder fazer a tradicional festa no gramado diante de sua torcida, teria um gosto amargo para o Liverpool. Seria injusto após três décadas de espera e pelo dominante futebol apresentado desde julho do ano passado.

Da Gazeta Esportiva

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