Esta quarta-feira, 27, marcou o Dia Nacional da Doação de Órgãos, ação que faz parte das atividades do Setembro Verde

Com o intuito de conscientizar os colaboradores sobre a importância da doação de órgãos e tecidos, a Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) realizou durante todo o dia de ontem (27) uma ação para marcar o Dia Nacional da Doação de Órgãos.

Na primeira troca de plantão do dia, trabalhadores que entravam e saíam do hospital puderam conversar com a equipe da CIHDOTT, que distribuiu laços verdes e panfletos sobre o tema, incentivando as pessoas que desejam ser doadores de órgãos e tecidos a falarem com a família sobre o assunto. A mesma ação também foi realizada às 13 horas e tem uma última edição às 19 horas, com o objetivo de contemplar colaboradores de todos os turnos.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos faz parte de uma ação maior de conscientização, que engloba instituições de saúde de todo o Brasil. O Setembro Verde, como ficou conhecido o movimento, faz referência ao tema, que há pouco tempo era pouco abordado no País, resultando em baixos índices de doações e transplantes.

Para se ter uma ideia, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), houve um grande salto no número de doadores entre 2009 e 2016, justamente pela intensificação das campanhas sobre o tema, fazendo com que informações importantes sobre o processo de doação fossem melhor compreendidas pela população.

Há sete anos, o Brasil registrou a média de nove doadores por milhão de habitantes e, em 2016, o número evoluiu para 14,6 doadores por milhão, que ainda é pouco perto de países como a Espanha e a Croácia, que tem aproximadamente 40 doadores por milhão de habitantes.

A presidente da CIHDOTT do HU-UFGD, Cristiane de Sá Dan, explica que ainda falta envolvimento de toda a sociedade no diálogo sobre a doação de órgãos e tecidos, principalmente no que tange à recusa familiar em permitir a captação de órgãos de um ente falecido. “São diversos fatores que dificultam o processo no Brasil, como por exemplo a dificuldade da família em entender e aceitar a morte, muitas vezes por falta de informações, e a presença de tabus, o que prejudica e dificulta a efetivação da doação de órgãos”, esclarece a enfermeira.

Ela informa que para ser doador, não é necessário deixar nada por escrito, pois o que vale na hora da decisão de captar ou não órgãos e tecidos é a autorização familiar. “É fundamental comunicar à família sobre o desejo de doar. Por isso, as campanhas são sempre realizadas com esse enfoque”, diz Cristiane.

No HU-UFGD

Atualmente, o HU-UFGD realiza, com equipe própria, a captação de córneas, e tem trabalhado na conscientização da comunidade por meio de palestras em escolas e universidades. A atividade é coordenada pela CIHDOTT do hospital, que também é a entidade que conduz os processos de doação de órgãos e tecidos de pacientes da instituição.

Entre junho de 2016 e a data de ontem(27), 15 captações de córneas foram feitas no HU-UFGD. Os tecidos, no caso, são transportados até Campo Grande para serem avaliados e preservados pelo Banco de Olhos da Santa Casa e destinados a um receptor, conforme a lista de espera.

Em Mato Grosso do Sul, até 2016, apenas profissionais de Campo Grande realizavam esse tipo de captação, sendo que a implantação do serviço de forma autossuficiente no HU-UFGD estabelece Dourados como referência em retirada de córneas na macrorregião.