quinta-feira, 12 - março - 2026 : 12:14

Clima mais seco e quente preocupa produtores de milho em MS

Chuvas devem ficar abaixo da média histórica até o mês de junho no Estado; temperaturas também devem ficar acima da média histórica, aponta Cemtec

Lavouras de milho podem ser prejudicadas com a falta de chuva no MS – Foto: Aprosoja/MS

As previsões climáticas para os próximos meses em Mato Grosso do Sul acendem um alerta para o setor agrícola. Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), entre abril e junho de 2025, as chuvas devem ficar abaixo da média histórica, especialmente nas regiões oeste e sudeste do Estado.

Além da escassez de chuvas, as temperaturas devem permanecer acima do normal no período, o que favorece a ocorrência de ondas de calor, principalmente em dias com pouca nebulosidade. Esse cenário pode trazer impactos significativos para a produção agrícola e aumentar os riscos ambientais.

A segunda safra de milho é a mais afetada por essas projeções. De acordo com Gabriel Balta, coordenador técnico da Aprosoja/MS, há um risco expressivo de estiagem até junho, o que pode comprometer o potencial produtivo da cultura. “Esse cenário pode não apenas resultar em uma queda na produção, mas também aumentar o risco de queimadas durante o período de colheita devido ao excesso de massa seca”, alerta.

Outro fator analisado é o comportamento do fenômeno El Niño. As previsões indicam uma probabilidade de 77% de que o Estado esteja sob condições de neutralidade até junho, ou seja, sem influência direta de El Niño ou La Niña no clima regional.

Essa neutralidade, segundo Gabriel Balta, costuma reduzir as chuvas na região Sul do Brasil e, por outro lado, pode aumentar a precipitação no Centro-Oeste e Nordeste. Para Mato Grosso do Sul, os efeitos são variáveis e devem ser monitorados com atenção pelos produtores.

A equipe do Cemtec reforça que o clima no Estado não depende apenas da atuação de El Niño ou La Niña. Outras forçantes climáticas também influenciam o comportamento do tempo, e sua atuação, muitas vezes indireta, pode modificar as condições previstas, exigindo vigilância constante das autoridades e do setor agropecuário.

São esperados os seguintes impactos na agricultura do Estado:

1 – Chuvas irregulares: As chuvas podem ser irregulares e abaixo da média histórica. Isso pode afetar negativamente o desenvolvimento das plantas. Em safras anteriores, chuvas irregulares resultaram em perdas significativas para os agricultores.

2 – Possíveis benefícios: Nas áreas mais ao sul do estado, onde a influência de neutralidade tende a ser menor, as chuvas podem ser mais próximas do normal, beneficiando a produção. Dados históricos mostram que essas áreas frequentemente têm melhores resultados em anos de neutralidade.

3 – Riscos climáticos: A irregularidade das chuvas pode aumentar o risco de estresse hídrico, impactando a produtividade.

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