O Corinthians deu apenas três chutes no gol do São Paulo nesse domingo, foi pressionado, ficou pouco com a bola e acabou derrotado no Morumbi. Mais uma vez, a entrevista coletiva de Fábio Carille teve como tônica perguntas sobre a ausência de um bom desempenho da equipe em campo. E, como em outros casos, o técnico se defendeu, minimizou sua responsabilidade sobre os fatos e lamentou a falta de jogadores que não puderam ser contratados.

“Acho que de 63 de jogos a gente não fez 10 bons jogos no ano. A gente não fez. Até campeão Paulista, já falei várias vezes, com dificuldade para jogar”, reconheceu, rebatendo a fama de “retranqueiro”.

“Hoje fui para campo com Vital, com Love, com Boselli e com o Clayson. Dificuldade não está na função dos jogadores, está no entender do jogo. A gente está com uma ideia que não é a do Corinthians, isso de muitos anos, de ficar recuando bola para o Cássio a toda hora. Passa pelas características de jogadores que vêm de trás, como foi Rodriguinho, a gente sente muita falta desse jogador que flutua perto do nove. Entendimento está difícil”, continuou.

“Isso não tem que dividir (responsabilidade), são características. Por mais que a gente treine, que a gente peça, são jogadores que vêm buscar a bola no pé, eu entendo isso, em poucos momentos isso funciona, passa pelas características”.

Os reforços que não chegaram e são tão lamentados por Fábio Carille também servem para o treinador explicar o motivo de Mauro Boselli não ter praticamente pego na bola nesse domingo.

“As características do nosso time não são para ele. Quando pedi a contratação dele a gente imaginou que iam acontecer outras coisas, precisa de bola na área. E nosso time dificilmente busca profundidade, gosta de rodar com a bola”, justificou, antes de falar sobre a postura como visitante.

“Tem que ter jogadores mais agressivos. O adversário vem para cima em casa, você tem de ter jogadores de velocidade, para alongar campo. A gente precisa equilibrar melhor, não é entendimento só meu, mas de todos, para a gente equilibre melhor. A gente precisa melhorar na questão e equilíbrio (para 2020) para que seja mais forte”, afirmou, sem pudor na repetição de seus argumentos.

“Rodriguinho em 12 jogos no Cruzeiro fez 8 gols, cara que incomoda, Roger Guedes, que não estava jogando na china, jogadores agressivos. Nossos jogadores são todos de armação, pouco pisam na área, estou achando que isso vai também da característica e perfil. Vejo outras equipes mais equilibradas, com velocidade, não só querendo bola no pé e esse cara sem paciência (que finaliza), perto do 9”, avaliou, em discurso que também foi usado para explicar o motivo do Corinthians ter tido dificuldade até mesmo contra equipes da parte de baixo da tabela.

“Tem outras equipes que têm mais equilíbrio no elenco que a nossa. Pra gente falta profundidade, aqueles jogadores que se posicionam na frente. Tem equipes de menos expressão, mas que são mais equilibras no elenco”.

Diante desse cenário, Fábio Carille foi taxativo ao falar sobre a vaga na Copa Libertadores do ano que vem.

“Temos de melhorar, e se não melhorar, não classifica na libertadores. Essa é minha opinião”.

E se a classificação não acontecer, o técnico reconhece que pode ser demitido do cargo.

“Pode. O que está me chamando atenção nas demissões é que não é só quem está mal. Isso faz parte do nosso futebol, faz parte da nossa cultura”.

Sobre o jogo, Carille reconheceu a superioridade do adversário, e voltou a reclamar de seus atletas em campo.

“Ganhou o melhor, quem acertou mais passe, quem buscou o jogo, quem foi ofensivo. A gente foi muito abaixo. O básico do futebol é o passe, a gente está com dificuldade no básico. O grupo é consciente de que está mal, vê no vestiário que poderia render mais. A gente tem que melhorar e não é de hoje”, concluiu.

Da Gazeta Esportiva