Caarapó tem índice zero de mortalidade infantil entre indígenas

Autoridades discutem os indicadores da saúde indígena - Divulgação
Autoridades discutem os indicadores da saúde indígena – Divulgação

O índice de mortalidade infantil de crianças até cinco anos entre os indígenas de Caarapó é zero. Os números constam de relatório apresentado pela Divisão de Atenção à Saúde Indígena de Mato Grosso do Sul ao prefeito Mário Valério (PR) em recente reunião ocorrida na sede da prefeitura e se referem ao primeiro semestre de 2017.

Participaram da reunião, além do prefeito Mário Valério, o coordenador do DSEI/MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), Edemilson Canale, o chefe da Divisão de Atenção à Saúde Indígena, Wanderley Guenka, o chefe do Polo Base de Caarapó, Adalberto Araújo, e o chefe do Polo Base de Miranda, João Batista.

O relatório mostra que, de janeiro a julho deste ano, nasceram 73 crianças no núcleo indígena de Caarapó. Todas nasceram vivas e não houve ocorrência de mortes entre crianças de zero a cinco anos. Também não foram registrados óbitos maternos. Os números ainda mostram que a população indígena do município é de 7.204 pessoas, das quais 4.359 são mulheres com idade entre 12 e 49 anos.

O documento faz uma ressalva, afirmando que os coeficientes estão sujeitos a revisão, mas as autoridades comemoram os números. “Existe um trabalho sério e forte no sentido de oferecer serviços de saúde de qualidade à comunidade indígena”, destacou o prefeito Mário Valério.

Conforme o dirigente, as parcerias com a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) têm trazido os resultados esperados. “A nossa administração é parceira do polo indígena de Caarapó e presta o apoio necessário, auxiliando na oferta de material e medicamentos básicos para os postos de saúde, transporte, exames e outros atendimentos”, acrescentou.

Conforme o Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade infantil se refere ao número de óbitos de menores de um ano de idade, por mil nascidos vivos, em determinado espaço geográfico, no ano considerado e compreende a soma dos óbitos ocorridos nos períodos neonatal precoce (0-6 dias de vida), neonatal tardio (7-27 dias) e pós-neonatal (28 dias e mais). Estima o risco de um nascido vivo morrer durante o seu primeiro ano de vida.

As taxas de mortalidade infantil são geralmente classificadas em altas (50 ou mais), médias (20-49) e baixas (menos de 20), em função da proximidade ou distância de valores já alcançados em sociedades mais desenvolvidas. Esses parâmetros devem ser periodicamente ajustados às mudanças verificadas no perfil epidemiológico.

Altas taxas de mortalidade infantil refletem, de maneira geral, baixos níveis de saúde, de desenvolvimento socioeconômico e de condições de vida. Taxas reduzidas também podem encobrir más condições de vida em segmentos sociais específicos.

O cumprimento das metas acordadas na Cúpula Mundial da Criança para o ano 2000 requeria, no Brasil, a redução da taxa para 30 óbitos por mil nascidos vivos.

Dados do Ministério da Saúde (Datasus) revelam que, em 2011, o número de óbitos infantis (menores de um ano) por mil nascidos vivos, em 2011, era de 15,3. A região Centro-Oeste registrou uma taxa de 15,5. Em Mato Grosso do Sul, esse número atingiu 13,9, portanto, abaixo das taxas nacional e regional.