Brasília, Inconfidência Mineira e Páscoa

  • Por João Baptista Herkenhoff

Nesta agradável tarefa de escrever semanalmente para os jornais, às vezes falta assunto e outras vezes sobejam temas.

Para o artigo de hoje ocorrem-me três boas matérias.

João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES) e escritor – Divulgação

Posso lembrar o enforcamento do herói Tiradentes, levado a efeito pela Coroa Portuguesa em 21 de abril de 1792.

Posso falar sobre a inauguração de Brasília, que ocorreu em 21 de abril de 1960.

Ou posso celebrar o Domingo de Páscoa, que deu início ao Tempo Pascal, no qual nos encontramos.

Os inconfidentes revoltaram-se contra a opressiva cobrança da derrama, que lhes furtava a recompensa pelo duro trabalho de extrair ouro das minas.

Chegaram a definir uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria composta por um triângulo vermelho num fundo branco, e a inscrição em latim: Libertas Quae Sera Tamen (Liberdade ainda que Tardia).

Quanto idealismo, quanta grandeza de alma, que exemplo para todos os brasileiros e, de maneira especial, para as novas gerações!

A respeito de Brasília começo com um registro pessoal porque os registros pessoais dão maior autenticidade aos textos.

Nos meus tempos de jovem fundei um jornal em Cachoeiro de Itapemirim – a Folha da Cidade, que era impresso numa máquina bem primitiva. Basta dizer que a impressão era feita página por página.

Na edição de 21 de abril de 1960, a Folha da Cidade abriu manchete saudando com entusiasmo a inauguração de Brasília.

Na época houve muito debate, contra e a favor da transferência da capital do país para o Planalto Central. Mas hoje é unânime, ou quase unânime, o apoio à corajosa iniciativa de JK.

O nome Páscoa é de origem hebraica, da palavra Pessach que significa “passagem”.

Leva esse nome porque antes de ser a festa da Ressurreição, marcava o final do Inverno e a chegada da Primavera.

A Páscoa lembra a ressurreição do Cristo três dias após sua morte na cruz. É fundamento da Fé Cristã.

A Páscoa é uma esperança viva dada por Deus aos homens.

Duas datas aqui lembradas são profanas – inauguração de Brasília e Inconfidência Mineira. E uma data é sagrada – a Páscoa.

Mas há um teor de sacralidade nas datas profanas.

O sacrifício de Tiradentes teve a marca do martírio. Morreu pela Justiça.

Brasília significou a Esperança de um Brasil Novo – integrado, fraterno, solidário.

O sagrado não está no rito, mas na essência daquilo que se celebra.

A luta pela Dignidade Humana é sempre uma luta sagrada.