Brasileiros quase dobram presença em cursos de graduação no exterior

Tipo de graduação é acessível apenas para uma pequena parcela da população

Os brasileiros sofreram os impactos da crise econômica que assolou o país a partir de 2014. Uma forma de driblar o desemprego é fazer cursos para se qualificar, seja de nível tecnológico, graduação ou pós-graduação.

De acordo com o Mapa do Ensino Superior no Brasil, de 2017, os postos de trabalho para quem tem curso superior cresceram 1,5% de 2014 a 2015. Outra forma de conseguir qualificação para quem tem mais condições financeiras é fazer um curso fora do país.

De acordo com a Brazilian Educational & Travel Association (Belta), associação de agências de programas internacionais de educação, em 2016, dos 246,4 mil estudantes brasileiros que deixaram o país com o objetivo de fazer um curso no exterior, 62.832 ingressaram em uma instituição de ensino superior, o que representa 25,5% do total. Esse número foi 50% maior do que em 2015 – na época, 41.800 estudantes tiveram a mesma iniciativa.

Esse movimento se deve a diversos fatores. A crise e os impactos da recessão econômica até aspectos mais relacionados com a qualificação profissional e a novas oportunidades.

Se, antes, os estudantes buscavam apenas aprimoramento em uma língua estrangeira, como espanhol e inglês, agora eles possuem uma maior visão de futuro, analisando seus próximos passos e como eles podem ter uma melhor qualidade de vida. “A família brasileira começa a perceber que pode preparar os filhos para ter uma carreira em qualquer parte do mundo”, disse Ana Beatriz Faulhaber, coordenadora regional da Belta no Rio de Janeiro, à revista Época.

O movimento, no entanto, está restrito a uma pequena parcela da população. Geralmente, são pessoas da classe média ou alta que estudaram em colégios bilíngues no Brasil. O preço dos cursos no exterior também é elevado frente aos padrões brasileiros. Nos Estados Unidos, um curso de graduação chega a custar aproximadamente US$ 30 mil, ou R$ 93.700. Aqui, o valor médio das mensalidades de instituições privadas de ensino é de R$ 779, de acordo com a Hoper.

Segundo o estudo “Education at a Glance 2017”, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 15% dos brasileiros entre 25 e 60 anos concluíram o Ensino Superior. O número está abaixo da média da organização, que é de 37%, e até mesmo de países latino-americanos, como Argentina (21%), Chile (22%) e Colômbia (22%). Dos estudantes brasileiros que estão na universidade, apenas 0,5% estão fora do Brasil.

Escolas brasileiras – bilíngues ou não – já instruem os alunos sobre como ingressar em cursos de nível superior fora do Brasil. Outro nicho de mercado aproveitado é o de empresas focadas em intercâmbio ou logística de transporte de pertences para fora do Brasil.

Apesar dos benefícios, como novas oportunidades lá fora e dentro do país, há alguns desafios. Alguns diplomas nem sempre são aceitos no Brasil ou possuem uma burocracia para serem validados, como é o caso de medicina. Muitos desses jovens, apesar das oportunidades de trabalho no exterior, preferem voltar, até mesmo porque as políticas de visto de trabalho variam de país para país e podem ser dificultosas.

Ensino superior no Brasil

De acordo com dados de 2016 do Censo da Educação Superior, o número de matrículas no Ensino Superior ficou estável, com crescimento de 0,2%. Em relação às instituições de ensino privadas, houve decréscimo de 0,2%, além de crescimento de 1,9% na rede pública. Apesar dos números não apresentarem um aumento expressivo, houve um movimento positivo em relação aos estudantes de baixa renda incentivado por programas sociais, como Prouni e FIES, além de bolsas de estudo.

De acordo com o Mapa do Ensino Superior no Brasil, de 2017, do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), houve aumento de 4,7% no número de formandos na faixa com renda familiar de até 1,5 salário mínimo em relação ao estudo anterior, o que representa 13,5% dos formados. Na faixa entre 1,5 e 3 salários mínimos, o crescimento foi de 3,4%, chegando a representar 26,8% dos formados, a maior parcela dos que concluíram o Ensino Superior.