
O primeiro Boletim Focus de 2026, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central, mostrou estabilidade em três das quatro principais projeções econômicas analisadas semanalmente pelo mercado financeiro. A única variação registrada foi na estimativa de inflação para o ano corrente, que subiu de 4,05% para 4,06%. A leve elevação, de 0,01 ponto percentual, interrompe uma sequência de oito semanas consecutivas de queda nas projeções inflacionárias.
A inflação oficial no Brasil é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cuja prévia de dezembro indicou alta de 0,25%. Com isso, o acumulado em 12 meses chegou a 4,41%, ainda dentro do intervalo de tolerância estabelecido pela meta do governo. Em novembro, o IPCA-15 já havia recuado para 4,5%, voltando à faixa de meta após quase um ano fora dos limites, que têm como centro 3% e margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Em abril do ano passado, o IPCA-15 atingiu o pico de 5,49%, o maior nível de 2025. A sequência recente de desaceleração inflacionária mostra sinais de moderação, ainda que o mercado siga cauteloso com os efeitos futuros da política monetária.
Inflação futura e crescimento do PIB
As projeções de inflação para os próximos anos permanecem inalteradas há nove semanas: 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028, conforme o levantamento do Banco Central.
Já o Produto Interno Bruto (PIB) — que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país — deve crescer 1,8% tanto em 2026 quanto em 2027. Para 2028, o mercado projeta um crescimento um pouco maior, de 2%. Esses números indicam expectativa de retomada moderada da atividade econômica no médio prazo.
Dólar e juros mantêm estabilidade
A projeção para a cotação do dólar ao fim de 2026 segue em R$ 5,50, sem alterações há 12 semanas. A mesma estimativa se mantém para 2027, enquanto para 2028 há leve avanço previsto, com o câmbio encerrando o ano a R$ 5,52.
Quanto à taxa Selic, que encerrou 2025 em 15% ao ano — maior nível desde julho de 2006 — o mercado prevê recuo para 12,25% até o fim de 2026. A expectativa é que os cortes continuem nos anos seguintes, chegando a 10,50% em 2027 e 9,75% em 2028.
A Selic começou a subir novamente em setembro de 2024, após atingir 10,5% em maio do mesmo ano. A elevação foi motivada pelo cenário inflacionário mais resistente, com o Comitê de Política Monetária (Copom) buscando conter a demanda ao encarecer o crédito e desestimular o consumo.
Com a retomada da trajetória de queda esperada para este ano, a perspectiva é de um ambiente mais propício à recuperação econômica, com juros menores favorecendo a tomada de crédito e o investimento produtivo.
O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, reúne as projeções de cerca de 100 instituições financeiras e é considerado um dos principais termômetros do sentimento do mercado em relação aos rumos da economia brasileira. (Com Agência Brasil)



















