Barcelona gasta quase 1 bilhão de euros com reforços e pouco muda

Segundo levantamento do GloboEsporte.com, clube espanhol investiu ao menos 952 milhões de euros em contratações desde julho de 2015. Peças para o ataque foram as que menos vingaram

A “troca” de Arthur por Pjanic reacendeu críticas à diretoria do Barcelona no que diz respeito à formação do elenco. Mais um elemento no atual momento conturbado, já carregado pelas especulações de crise com o técnico Quique Setién, e pelo distanciamento da liderança do Campeonato Espanhol após o empate com o Atlético de Madrid. Nos últimos cinco anos, o clube investiu ao menos 952 milhões de euros em 82 reforços, sem acrescentar na conta todas as variáveis contratuais, e os retornos dentro de campo podem ser questionados.

Vale lembrar que trata-se do clube mais rico do mundo atualmente, com faturamento anual acima de 840 milhões de euros. É o que mais investe em salários, 529 milhões por ano.

Na última janela de transferências de inverno, na virada do ano, o Barcelona trouxe apenas o atacante Braithwaite, que estava no Leganés. O clube catalão pagou 18 milhões de euros. O técnico Quique Setién havia pedido reforços para compensar as perdas de Suárez e Dembélé, afastados por lesão. Braithwaite fez um gol em sete jogos até agora.

Para a atual temporada, o Barcelona já havia investido mais de 255 milhões de euros em contratações, como o lateral-esquerdo Junior Firpo (18 milhões), o goleiro Neto (26 milhões), o meio-campista De Jong (75 milhões), e o atacante Griezmann (120 milhões). O francês marcou 14 gols em 43 jogos até agora – sua pior média desde 2011/2012.

Por outro lado, o clube conseguiu arrecadar aproximadamente 159 milhões de euros com a saída de jogadores. A venda mais significativa foi a do atacante Malcom, para o Zenit, por 41 milhões de euros. O goleiro Cillessen foi para o Valencia por 35 milhões e o meio-campista André Gomes partiu rumo ao Everton por 25 milhões.

Outra movimentação importante foi a demissão do técnico Ernesto Valverde e a chegada de Quique Setién, em janeiro. A troca abriu uma fissura entre a diretoria e o elenco, que só foi aprofundada nos últimos meses, com as rusgas entre Messi e o diretor de futebol Éric Abidal, o escândalo das críticas orquestradas nas redes sociais, e, mais recentemente, a redução de salário em 70% durante a pandemia. Em abril, seis diretores pediram demissão e atacaram Bartomeu.

Mas não são novas as críticas ao presidente do Barcelona e aos outros homens de decisão do futebol do clube, como o diretor da equipe profissional, Javier Bordas, e o diretor-executivo geral, Óscar Grau. Principalmente no quesito transferências e manutenções no elenco.

Na temporada anterior (2018/2019), a primeira com Abidal como secretário-técnico, foram gastos quase 130 milhões de euros em reforços: 41 milhões em Malcom, 35,9 milhões no zagueiro Lenglet, 31 milhões no volante Arthur e 18 milhões no meia Alex Vidal, fora outros com pequenas taxas de empréstimo. Malcom e Arthur já se foram, Vidal virou reserva de luxo e apenas Lenglet é titular hoje.

Por outro lado, o Barcelona revendeu o volante Paulinho ao Guangzhou Evergrande por 42 milhões de euros, e acertou a ida do zagueiro Mina para o Everton, por 30,2 milhões. No total, foram arrecadados pelo menos 134 milhões com saídas em 2018/2019.

O Barcelona não tem conseguido grandes retornos dentro de campo para as suas contratações, principalmente para as peças do ataque, desde a saída de Neymar para o Paris Saint-Germain, em 2017, por 222 milhões de euros. Na temporada 2017/2018, mesmo com a venda de maior valor na história, o clube teve um balanço negativo em transferências, porque investiu 374,5 milhões de euros.

Foram cerca de 235 milhões apenas para trazer o meia Philippe Coutinho e o atacante Dembélé. O brasileiro foi emprestado ao Bayern de Munique depois de duas temporadas, e Dembélé sofreu nove lesões no mesmo período. Outro reforço da época, o lateral-direito Semedo, custou 35,7 milhões de euros e virou titular, apesar das críticas.

Outras contratações questionáveis foram feitas em 2016/2017, quando o Barcelona gastou quase 125 milhões de euros. Exemplos: o clube pagou 67 milhões de euros para tirar André Gomes e o atacante Paco Alcácer do Valencia, 25 milhões ao Lyon para trazer o zagueiro Umtiti, e 16,5 milhões no lateral-esquerdo Lucas Digne, do PSG. Por outro lado, negociou o goleiro Claudio Bravo para o Manchester City, por 18 milhões.

A saída mais relevante foi na comissão técnica: Luis Enrique deixou o cargo de treinador ao fim da temporada. Com ele, o Barcelona conquistou uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes, uma Supercopa da Europa, dois Campeonatos Espanhóis, uma Copa da Espanha e três Copas do Rei.

Desde então, o time principal ganhou duas vezes o Campeonato Espanhol (2017/2018 e 2018/2019), uma vez a Copa do Rei (2017/2018) e a Supercopa da Espanha em 2018.

Mas poucas transações foram tão decepcionantes quanto a compra do meia Arda Turan, junto ao Atlético de Madrid, por 34 milhões de euros, em 2015/2016. O jogador segue vinculado ao Barcelona, mas foi emprestado ao Basaksehir, da Turquia, nas últimas três temporadas.

A chegada de Turan marcou o primeiro ano do atual mandato do presidente Josep Maria Bartomeu, reeleito em julho de 2015. Naquela época, o Barcelona ainda comemorava a conquista do quinto título da Liga dos Campeões, com um time composto por Xavi, Iniesta, Messi, Suárez, Neymar e companhia.

Cinco anos depois, o Barcelona vive hoje uma outra realidade. Em crise dentro de campo, com ruídos entre elenco e diretoria, além de possíveis dificuldades financeiras pela frente por causa da pandemia. Para a próxima temporada, o clube já acertou as chegadas do volante Pjanic (Arthur mais 12 milhões euros), do atacante Trincão, por 31 milhões, do volante Matheus Fernandes, por 7 milhões, e do atacante Pedri, por 5 milhões. Bartomeu tem mais um ano de mandato na presidência.

Do Globo Esporte

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