PF divulgou arquivos gravados por emissários da Odebrecht

Temer é investigado pela Operação Lava Jato – Foto: ANSA

A Polícia Federal (PF) divulgou nesta segunda-feira (10) quatro arquivos de áudio com diálogos entre entregadores de dinheiro da empreiteira Odebrecht e o coronel João Baptista Lima Filho, amigo pessoal do presidente brasileiro, Michel Temer, e apontado por delatores como responsável pela captação de dinheiro em nome do mandatário no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

As conversas foram gravadas por funcionários da Hoya Corretora de Valores, que pertence ao doleiro Álvaro Nóvis, um dos encarregados pela entrega de dinheiro a políticos a mando da Odebrecht. Nóvis entregou os arquivos à polícia como parte do acordo de delação premiada que firmou com a PF e a Justiça para obter redução de pena.

As investigações apontam que executivos da Odebrecht participaram de um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer, em 2014, para acertar o repasse de R$ 10 milhões da empresa ao MDB, partido do então vice-presidente. Do total, R$ 1,4 milhão teria sido recebido por Temer por intermédio do coronel Lima. O restante teria sido distribuído para outros membros do partido.

No primeiro áudio, Lima trata da entrega “daquela encomenda” com o emissário e, após o fim da ligação, telefona para Argeplan, empresa de engenharia da qual é sócio. Logo depois, o coronel liga para o gabinete de Michel Temer em Brasília, em uma chamada que durou cerca de 50 segundos.

Lima então retona a ligação ao emissário da Odebrecht, remarcando a entrega “daquela encomenda” e, em seguida, liga novamente para o presidente, em conversa que durou cerca de cinco minutos. Dias depois, o coronel liga novamente para o representante da empreiteira para confirmar que as entregas foram feitas de forma satisfatória e ainda pergunta se “há previsão para mais alguma coisa”. O emissário responde que “ainda não tem previsão nenhuma”.

Lima ainda diz que “as entregas não foram iguais às anteriores” e recebe, como resposta, a afirmação de que se tratava de “um número quebrado”. De acordo com as investigações, foram feitos ao menos dois repasses de R$ 500 mil e um de R$ 438 mil ao coronel.

Da AnsaFlash