Santa Rita do Pardo está entre os 54 municípios de Mato Grosso do Sul que poderão ser impactados com a extração do gás de xisto, também conhecido como gás de folhelho. O município faz parte do bloco da Bacia do Paraná e teve parte de sua área arrematada durante leilão realizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 2017.

O alerta é o deputado estadual Amarildo Cruz (PT), que preocupado com os danos irreversíveis que a atividade pode causar ao meio ambiente e à população, tem percorrido os locais com potencial para exploração do gás para debater os “Impactos na Extração do Gás de Xisto em Mato Grosso do Sul”. A 3ª audiência pública sobre o tema será realizada hoje, 4 de junho, às 18 horas (horário de MS), na Câmara Municipal de Santa Rita do Pardo.

Autor do projeto de lei nº 0003/2018, que pede a suspensão da exploração do gás no Estado, no período de dez anos, Amarildo Cruz diz que a intenção é informar a população e as autoridades sobre os riscos que a atividade pode causar, caso seja iniciada.

“Nossa intenção é trazer o assunto à tona, informar a população sobre o perigo que corre, principalmente nas localidades com potencial para a exploração do gás de xisto, além de sensibilizar as autoridades competentes para que tomem medidas protetivas. Nosso Estado está localizado sobre o Aquífero Guarani, a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e uma das maiores do mundo, e essa riqueza natural pode ser contaminada caso não sejam tomadas providências, a fim de evitar esse crime ambiental”, falou o deputado.

O parlamentar ressalta que os municípios de Santa Rita do Pardo e Brasilândia já tiveram suas áreas arrematadas pela Petrobrás durante a 14ª e 15ª rodada do leilão da ANP. As áreas dos outros municípios continuam em leilão permanente e podem ser arrematadas a qualquer momento.

Técnica de extração do gás de xisto

A técnica utilizada na extração do gás de xisto, utilizado na geração de energia elétrica, é conhecida como fraturamento hidráulico ou fracking, que ultrapassa as fontes subterrâneas de água, onde um cano de aço, revestido por cimento injetado, leva água e produtos químicos e sua pressão causa fraturas que liberam o gás, altamente poluente, e que contamina a água, solo e ar.

Municípios de Mato Grosso do Sul já ofertados em leilão da ANP

Água Clara, Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Campo Grande, Deodápolis, Ivinhema, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu, Três Lagoas, Alcinópolis, Bandeirantes, Camapuã, Cassilândia, Chapadão do Sul, Costa Rica, Inocência, Rochedo e São Gabriel do Oeste.