Primeiro-ministro Joseph Muscat está por um fio no cargo

Manifestantes protestam contra o governo na capital Valeta, após desdobramentos do inquérito sobre morte de jornalista – Foto: EPA

O assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia, vítima de um atentado com carro-bomba em 16 de outubro de 2017, provocou uma crise política que ameaça o mandato do primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, no poder desde março de 2013.

Galizia tinha 53 anos e ganhara notoriedade com reportagens sobre o escândalo “Malta Files”, que havia revelado como esse pequeno país insular serve de base para esquemas de evasão fiscal na União Europeia.

Algumas dessas reportagens implicaram diretamente membros do governo trabalhista, e a jornalista foi assassinada com uma bomba instalada no carro que ela havia alugado.

Após dois anos de investigações, o caso chegou à esfera política com a acusação de que o empresário Yorgen Fenech teria sido o mandante do atentado. Uma das reportagens de Galizia revelou que o empresário é dono da 17 Black, companhia sediada em Dubai e que, em 2013, teria pagado propinas para construir uma central elétrica.

Os subornos teriam sido destinados a duas empresas offshore no Panamá supostamente atribuídas ao chefe de Gabinete de Muscat, Keith Schembri, e ao ministro do Turismo Konrad Mizzi, que na época chefiava a pasta de Energia.

Após a prisão de Fenech, na semana passada, Schembri e Mizzi renunciaram a seus cargos, enquanto o ministro da Economia Chris Cardona se autossuspendeu. O empresário chegou a pedir perdão judicial, mas Muscat recusou.

O escândalo aumentou a pressão sobre o premier, que sempre teve bons índices de popularidade, mas agora passou a ser contestado por pessoas na rua. Políticos de toda a União Europeia também pediram sua renúncia, e ONGs de liberdade de imprensa, como Repórteres sem Fronteiras, alegam um conflito de interesses envolvendo o líder trabalhista.

A imprensa local chegou a publicar nesta sexta-feira (29) que Muscat havia decidido renunciar, mas o governo divulgou uma nota no fim do dia afirmando que a prioridade do premier é que “seja concluído um dos maiores casos criminais da história” de Malta.

“Será neste momento que ele falará sobre o futuro”, afirma o comunicado. Até agora, a polícia já prendeu três homens suspeitos de serem os autores materiais do atentado: Vince Muscat (que não é parente do premier) e os irmãos Alfred e George Degiorgio. O taxista Melvin Theuma foi intermediário entre os assassinos e o mandante, mas recebeu perdão judicial para colaborar com o inquérito e vive sob escolta.

Em depoimento obtido pela Reuters, Vince disse que ele e os Degiorgio receberam 150 mil euros para matar Galizia – os irmãos alegam inocência no caso. (Da AnsaFlash)