Diante do cenário André Dobashi recomenda cautela no investimento e planejamento quanto ao cultivo do milho 

A baixa frequência das chuvas em Mato Grosso do Sul atrasou o plantio da soja na safra 2019/20, que segundo o Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), conta atualmente com 12,4% semeada, enquanto que o ideal nesta época do ano, seria de 44%. Esse atraso pode impactar a 2ª safra do milho 2020, e isso estimula a Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja/MS) à busca por alternativas financeiras preventivas, destinadas ao agricultor.

Nesta sexta-feira (25) o presidente e o diretor executivo da Associação, André Dobashi e Frederico Azevedo, respectivamente, reuniram-se com o superintendente do Banco do Brasil em MS, Sandro Jacobsen Grando, e com o gerente de mercado Flávio Zocchi, a fim de discutir alternativas, destinadas ao agricultor em situação de risco quanto a safrinha.

“Buscamos com o Banco do Brasil alternativas para seguro agrícola, com a intenção de assegurar o faturamento do produtor e não a produtividade mínima. A intenção é de que o produtor consiga fazer um seguro de faturamento mínimo que ele pode ter em uma área específica e, com isso, possibilitar o mapeamento dos possíveis investimentos na safrinha, a fim de garantir uma margem mínima de rentabilidade”, relata o presidente da Aprosoja/MS, André Dobashi.

Segundo o superintendente do Banco do Brasil também existe uma preocupação por parte da instituição financeira, principal financiadora do crédito rural oficial. “Pelo andamento no Estado, verificamos produtores com plantio adiantado e outros bastante atrasados, isso gera sim uma preocupação”, aponta Grando, ao apontar viabilidade do seguro para quem conseguir plantar o milho dentro das recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático – ZARC.

Durante a reunião os diretores da Aprosoja/MS pontuaram sobre a importância de um amplo conhecimento do produtor quanto ao seguro faturamento, que permita desenhar um investimento para cada propriedade ou talhão da fazenda.

“Teremos quase 40% da safra de soja semeada depois do segundo decêndio de outubro, e isso faz com que a janela de milho safrinha seja lançada para o segundo decêndio de fevereiro de 2020, período que representa o fim da janela ideal para o milho. Isso já traz risco para a cultura e o alerta ao produtor é de que, mesmo semeando em uma boa janela, precisa-se de cuidado com os investimentos para se garantir a rentabilidade. Precisamos levar em conta que semeadura após o início de março, tem uma produtividade menor e ainda há riscos de geada, especialmente ao Sul do Estado”, justifica Dobashi.

Diante do atual cenário a Aprosoja/MS recomenda cautela ao agricultor, tanto no planejamento da safra, quanto no nível dos investimentos. “O ideal é aproveitar os melhores valores de compra de insumos, mas sem perder o Norte de um possível período crítico para a semeadura da safrinha. É importante analisar racionalmente os investimentos, especialmente em áreas de maior risco, pois podemos ter dificuldades para recuperar esses investimentos”, sugere o presidente da Associação.