domingo, 10 - maio - 2026 : 22:45

Após 16 meses do último corte, Copom deve voltar a reduzir a taxa básica de juros

Previsão do mercado é de que taxa Selic recue de 6,5% ao ano para 6,25% ou 6%. Se a queda dos juros se confirmar, aplicações financeiras em renda fixa e poupança renderão meno

Copom do Banco Central retoma nesta quarta-feira o processo de corte da taxa básica de juros – Foto: Marcelo Camargo/ABr

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve retomar nesta quarta-feira (31), em uma reunião em Brasília, o processo de corte da taxa básica de juros, avalia grande parte dos economistas do mercado financeiro. A última redução da taxa Selic promovida pelo Banco Central ocorreu em março de 2018 – ou seja, há mais de 16 meses.

Os analistas de mercado, porém, se dividem sobre a intensidade do corte. Uma parcela deles acredita em uma redução de 0,25 ponto percentual, com a taxa básica recuando dos atuais 6,5% para 6,25% ao ano. Outra parte prevê um corte maior, de 0,5 ponto percentual, para 6% ao ano.

Se confirmada uma nova redução, a taxa Selic atingirá o menor patamar em 30 anos, desde que o Banco Central deu início, em 1986, à série histórica da taxa básica de juros. A expectativa dos analistas é de que os juros básicos estejam no patamar de 5,5% ao ano no final de 2019.

Com base nesta avaliação, a perspectiva do mercado é de que os cortes nos juros continuem nos próximos encontros do Copom.

“O avanço das reformas era uma das medidas necessárias para permitir a redução das taxas de juros, e a reforma da Previdência avançou no Congresso, embora não tenha sido aprovada definitivamente. Por outro lado, o baixo crescimento [da economia] associado ao comportamento estável dos preços permite uma queda na taxa de juros”, pondera Pedro Raffy Vartania, professor de pós-graduação em Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Impacto nas aplicações financeiras
A eventual redução dos juros básicos da economia afetará algumas aplicações financeiras, como a caderneta de poupança e os investimentos em renda fixa, como, por exemplo, fundos, títulos públicos e CDB’s. Em consequência da provável queda da taxa Selic, esses investimentos passarão a render menos.

No caso da poupança, a regra atual de remuneração – em vigor desde 2012 –, prevê que seus rendimentos estão atrelados aos juros básicos sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Neste cenário, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo Banco Central. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

Se o juro básico da economia recuar para 6,25% ao ano, a correção da poupança seria de 70% desse valor – o equivalente a 4,375% ao ano, mais Taxa Referencial.

O mesmo percentual será aplicado se os juros recuarem para 6% ao ano. Nesse caso, a poupança passará a render 4,2% ao ano, mais TR.

“A caderneta de poupança vai permanecer interessante frente aos fundos de investimentos de Renda Fixa tributados, que apresentem taxas de administração não inferiores a 1% ao ano”, afirmou o professor de Cenários Econômicos e Macroeconomia dos cursos de MBA da Faculdade Fipecafi, Silvio Paixão.

Juros bancários altos
Mesmo com a taxa Selic no menor patamar em décadas, os juros bancários seguem em níveis elevados para padrões internacionais.

Em junho, segundo dados do Banco Central, a taxa bancária média (pessoa física e jurídica) somou 38,3% ao ano, enquanto que, para as pessoas físicas, totalizou 53,2% ao ano.

Em alguns casos, como no cheque especial e no cartão de crédito rotativo, estão acima de 300% ao ano em um ambiente de inadimplência baixa.

Segundo análise do diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro, as taxas bancárias só tendem a cair de forma relevante quando a economia voltar a crescer com mais intensidade.

“Se o país não cresce, os bancos sentam em cima de dinheiro [aplicando em títulos públicos e recebendo a Selic de remuneração]. Ninguém vai emprestar em um ambiente de incertezas. Em ambiente em que o país cresce, gera emprego e renda, isso provoca uma disputa maior pelo cliente. Com isso, há uma redução mais forte da taxa de juros”, analisou Miguel Ribeiro.

Para o analista, falta concorrência entre as instituições financeiras, uma vez que cerca de 85% do crédito disponibilizado está nas mãos de cinco bancos, que registram lucros elevados.

“Não é que não há competição. Há, mas quando há mais competição, melhora a oferta de serviços e mais barato fica o custo do crédito. Há uma concentração [do mercado de crédito]. Se competem, é só entre eles [os cinco maiores]. Nos Estados Unidos e na Europa, você tem uma competição maior”, acrescentou o diretor da Anefac.

Ribeiro destacou ainda que o governo e o Banco Central já vêm adotando algumas medidas para estimular a redução dos juros bancários, como aprovação do Cadastro Positivo no Congresso, redução de depósitos compulsórios e regulamentação das Fintechs. Também recomendou a redução de tributos sobre intermediação financeira, como o IOF.

“As taxas [bancárias] vão cair lentamente, vai demorar um tempo […] Esse ano, não vão cair muito. Cai um pouco aqui e ali, mas para termos juros mais baixos, é uma coisa de médio prazo. Se estivermos crescendo bem no ano que vem, reduzindo compulsório e o desemprego, teria um ambiente melhor pra baixar os juros bancários”, concluiu o dirigente da Anefac.

Do G1 

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