Bolsonaro diante do Muro das Lamentações, local de peregrinação do judaísmo, em Jerusalém, nesta segunda-feira (1º) — Foto: Reprodução/GloboNew

Presidente cumpre agenda de visita oficial a Israel

O presidente Jair Bolsonaro fez nesta segunda-feira (1) uma visita ao Muro das Lamentações, local sagrado aos judeus e localizado em Jerusalém. Sob forte chuva de granizo, Bolsonaro foi escoltado pelo premier de Israel, Benjamin Netanyahu, que acompanhou um líder estrangeiro ao local pela primeira vez.

O gesto de Netanyahu pode ser interpretado com grande simbolismo de apoio ao Brasil, mas também como uma estratégia do líder israelense para fortalecer sua imagem dias antes das eleições locais, nas quais tenta a reeleição. O Muro das Lamentações é o segundo local mais sagrado par ao judaísmo e fica no setor leste de Jerusalém, parte do território ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Para muitos, o fato de Bolsonaro visitar o local ao lado do líder israelense significaria reconhecer a soberania de Israel, sobre a região, em detrimento dos palestinos. Por isso, vários líderes estrangeiros optam por visitar o Muro das Lamentações sozinhos, sem a companhia de autoridades israelenses ou palestinas, para não dar indícios de soberania ao local. A visita foi feita um dia após Bolsonaro anunciar um escritório oficial do Brasil em Jerusalém, o qual terá funções comerciais e estratégicas. Imediatamente, as autoridades palestinas decidiram chamar de volta seu embaixador.

Desde a campanha eleitoral, Bolsonaro tinha prometido transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Israel. No entanto, como a mudança poderia comprometer as relações com os países árabes e o comércio internacional, como a exportação de carne brasileira, o governo preferiu dar um passo mais cauteloso, optando pela abertura do escritório.

Mesmo assim, Bolsonaro disse hoje que deverá tomar a decisão final “bem antes” de concluir seu mandato, em 2022. “Eu tenho o compromisso, mas meu mandato vai até 2022, tá ok?”, afirmou o presidente brasileiro. “O que eu quero é que seja respeitada nossa autonomia, obviamente”.

De acordo com Bolsonaro, se ele fosse tomar a decisão baseada apenas em sua opinião pessoal, deixaria a embaixada em Jerusalém. “Eu botava a embaixada onde? Seria em Jerusalém, tá certo?”, comentou, ressaltando, porém, que não quer “ofender ninguém” com isso.

Conservador e religioso, o alinhamento de Bolsonaro com Israel agrada ao seu eleitorado evangélico. A relação do político com o país começou a ser delineada ainda na campanha eleitoral.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, compareceu à cerimônia de posse de Bolsonaro em 1 de janeiro, em Brasília.

Agora, o brasileiro retribui a visita. O governo pretende assinar uma série de acordos de segurança, defesa e educação com Israel durante a viagem. Jerusalém é considerada sagrada por várias religiões, além dos palestinos desejarem que a área Oriental seja sua capital.

Agenda

Mais cedo nesta segunda-feira, Bolsonaro participou de uma homenagem à equipe de israelenses que ajudou no resgate das vítimas da tragédia em Brumadinho, Minas Gerais. A condecoração ocorreu na cidade de Ramla, próxima a Tel Aviv.

O presidente brasileiro fica até a próxima quarta-feira (3) em Israel.

Da AnsaFlash