Antes (e depois) do coronavírus

  • Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Mesmo matando mais de 400 mil ao redor do planeta, 37 mil dos quais no Brasil, e provocando por aqui uma crise político-institucional estúpida e sem precedentes, o coronavírus pode ser considerado um divisor histórico e social. Quando sua infestação terminar, nada será como antes. Por questão de sobrevivência – tanto na saúde quanto na economia – seremos todos levados a comportamentos mais racionais e sustentáveis. O comércio tradicional terá importante fatia arrebatada pela loja virtual. Muitos dos trabalhadores colocados em home-office por força da pandemia não voltarão ao posto original porque a prática emergencial revelou que em casa são mais produtivos e ainda deixam de perder tempo e de gastar dinheiro com transporte e indumentárias. Também chegaram para ficar as reuniões de trabalho e aulas por videoconferência e outros formatos à distância, que deverão melhorar em qualidade a partir do próximo ano com a chegada da rede 5G, que promete até 100 vezes mais de velocidade que a internet atual.

Diz o executivo Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho de administração do Bradesco – que tempos atrás ganhou notoriedade popular ao declinar do convite para ser ministro da Fazenda – ser as pandemias indutoras de mudanças. Pontua que, em meio à crise, as empresas e seus colaboradores encontram os ganhos de produtividade que mantêm vivos os negócios e, por isso, não mais serão abandonados.

As corporações e seus operadores – do presidente ao faxineiro – parecem ter compreendido que é preciso mudar para continuar vivo. E, além da ampliação dos recursos digitais, vão mudando seus paradigmas para enfrentar os tempos difíceis que, pelas características da Covid 19, ninguém sabe quanto ainda durarão. Precisamos que o mesmo ocorra no meio político-administrativo e institucional.

O permanente clima tenso de disputa e desencontros entre os membros do Executivo, Legislativo e Judiciário e as pendengas envolvendo os titulares dos diferentes níveis têm atrasado as reformas e prejudicado a vida da Nação. O povo já está enojado das manifestações que miram pessoas em vez de problemas. No lugar de ser contra ou a favor deste ou daquele político, as mobilizações populares têm combater males como o desemprego, a precariedade da educação e da saúde e outros problemas, exigindo as necessárias mudanças, independente de quem esteja sentado nas cadeiras de governo.  É preciso que políticos e lideranças tenham mais comprometimento com a nobre missão que o povo lhes confia e se esforcem numa mesma direção, evitando que o país e a sociedade sejam impactados por suas atuações e, principalmente, pelo interesse de cada um. Se cumprirem com as obrigações “de oficio” dos postos que ocupam e não invadirem área de atribuição alheia, será um grande avanço. Até porque, continuando nos altos índices de incompreensão e belicosidade dos últimos tempos, atrasarão (ainda mais) o país, farão o povo sofrer e passarão  para a História com a imagem negativa daqueles que não cumpriram o seu dever e em nada contribuíram para o clássico e almejado bem-estar geral da Nação…

  • Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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