• Por Rosa Floriano
Balneário em Bonito antes – Divulgação

O assunto merece cautela e seriedade, porque são sérios os riscos que o descaso ao meio ambiente possa representar para a saúde pública, para o meio ambiente e para a economia do nosso estado. Por isso a preocupação com o meio ambiente deve estar sempre presente nas nossas conversas. Um pouco dessa situação foi um dos cenários discutidos, nesta semana em audiência pública na Câmara Municipal de Bonito, a 257 km da Capital. “SOS Serra da Bodoquena” que debateram ações de emergência, prevenção e manejo na região dos rios que simbolizam o turismo da região. Lembro a todos que o Parque Nacional da Serra da Bodoquena está dividido em duas partes: a parte Norte onde nasce e se desenvolve o Rio Salobra e a parte Sul, onde nasce e se desenvolve o Rio Perdido.

Balneário em Bonito – Divulgação

E este local se desenvolveu sobre rochas carbonáticas que tiveram origem entre 550 e 570 milhões de anos, no fim da era Pré – Cambriana. Formada a partir de intensa sedimentação carbonática depositada em antigo oceano por microorganismos, transformou – se na rocha calcária hoje existente Este relevo é caracterizado por apresentar inúmeras cavernas, rios subterrâneos e dolinas sendo que, estas últimas, são cavernas que tiveram seu teto desabado. A presença do calcário, rocha sedimentar que apresenta minerais solúveis, principalmente a calcita, tem a capacidade de se dissolverem na água fazendo com que as mesmas permaneçam limpas pois o calcário, não apresenta impurezas como a argila as quais poderiam turvar as águas. O resultado são águas extraordinariamente cristalinas, de coloração verde ou azulada gerando grande beleza cênica, relevância ecológica e ambiente propício a recreação. Dada a sua forma, disposição e localização, a Serra da Bodoquena funciona como divisor de águas sendo essencial para recarga dos aquíferos, isto é, grandes reservatórios subterrâneos desta substancia que, sem a qual, nada sobrevive no planeta. É certo que temos pessoas com os olhos voltados para essa preservação, aliás pelo período de dois anos (biênio 2018-2020), a Associação “Pantanal/Bonito” composta pelo presidente Pedro Rosa, de Bodoquena, vice-presidente Walmir Munsi, de Bonito, diretor-administrativo-financeiro Raphael Barreto, de Aquidauana, vice-diretor a administrativo-financeiro Maria Marju Azambuja Venturini, de Corumbá, diretora de mercado e marketing Fátima Cordella, de Miranda, e o conselho fiscal titular formado por Edir Mendes Flores e Glaucir Vanzzela e Beth Coelho.

Mas porque estou contando tudo isso. Simples, porque além do rio da Prata, o formoso também exibiu águas turvas. Propriedades adjacentes aos rios representam parte do problema, quando não apresentam curvas de nível, a lama das propriedades desce e atinge os rios. Além disso, a estrutura das estradas também provoca, durante as chuvas, o desabamento de terra. Os proprietários de duas propriedades rurais lindeiras ao rio da Prata, foram notificados pelo Imasul (Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) por não terem construído curvas de níveis durante o manejo do solo para o plantio de soja. A título de explicação, se não houver manejo correto nas propriedades e estradas e que não é, ainda assim, o único problema poderemos ter no futuro um caminho sem volta.

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) sancionou a Lei 5.279, que institui a Política Estadual de Agroecologia, Produção Orgânica e de Extrativismo Sustentável Orgânico. De autoria do deputado estadual João Grandão, a nova norma foi publicada no Diário Oficial na semana passada, publicada dia 7 em Diário Oficial. Conversando com a assessoria do parlamentar estes informaram que o objetivo é integrar, articular e adequar as políticas, programas e ações indutoras da transição agroecológica, da produção orgânica e de base agroecológica e extrativismo sustentável, a fim de contribuir para o desenvolvimento e a qualidade de vida da população.

É certo que a Política Estadual seguirá oito princípios e 17 diretrizes, entre elas o apoio e o fomento aos sistemas de produção agroecológicos e orgânicos, o direito à alimentação saudável, o estímulo à diversificação da produção agrícola e ao consumo de alimentos orgânicos, a valorização da sociobiodiversidade e o fortalecimento das organizações da sociedade civil e das redes sociais de economia solidária. Uma grande preocupação é a deterioração da mata ciliar, barreira natural para evitar a degradação do rio e ação direta das chuvas. Além disso, há, também, agressões aos banhados, territórios planos e pantanosos onde nascem os rios como o Prata e Formoso, com a incidência de lavouras. Essa é a preocupação mais premente e que precisamos de caminhos certos para trilhar e juntos encontrar essa trilha. Sociedade, governo e nós, especialistas no assunto.

  • Colunista do AgoraMS