Empresa inaugurou sua primeira “Speed Factory” em 2016 na Alemanha e já começou projeto nos Estados Unidos

Em 2016, a adidas lançou seu primeiro calçado feito totalmente pelas mãos de robôs. A gigante de produtos esportivos tem um plano de longo prazo de adicionar fábricas customizadas e equipadas com máquinas robóticas, apelidadas de Speed Factories, à sua cadeia global de distribuição em alguns anos.

A empresa atualmente importa a maioria de sua produção da China e outros países da Ásia, onde são produzidos cerca de 300 milhões de pares de sapatos por ano, a maioria à mão. Em 2016, na sua nova facilidade industrial na Alemanha, onde a empresa é sediada, a adidas ainda produziu outros 500 protótipos. A expectativa, porém, não é substituir tão cedo o processo de manufatura asiático.

A longo prazo, porém, a adidas poderia lucrar com os baixos custos das fábricas dirigidas por robôs, o que teria implicações para todo o processo de produção. Se robôs podem consistentemente fazer calçados mais rápido e barato, a vantagem de usar trabalho barato em mercados emergentes como a China e o Brasil potencialmente desapareceria.

As empresas, dizem os analistas, poderiam começar a construir fábricas perto dos seus mercados mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde há um alto contingente de profissionais que conseguiria construir e operar indústrias robóticas.

Devido à escassez de trabalhadores e ao aumento dos salários na China, a adidas não é a única empresa movendo partes de sua produção para mais perto de seus mercados lucrativos. Em 2015, a Ford levou cerca de 3.200 processos de fabricação de seus automóveis de volta aos Estados Unidos, e a Nike recentemente anunciou uma parceria com a Flex, uma empresa de manufatura de alta tecnologia que trouxe automatização à sua cadeia de suprimentos.

Depois que a adidas abriu sua segunda fábrica totalmente equipada com robôs em Atlanta, nos EUA, em 2017, o número de calçados produzidos inteiramente por máquinas cresceu. A empresa inaugurou o projeto com a expectativa de produzir 50 mil pares de sapato até a segunda metade deste ano. De qualquer forma, isso não é nem mesmo metade do 1% de toda sua demanda.

Em dois anos, segundo a empresa, os robôs devem produzir um milhão de pares anualmente se todos os planos seguirem dando certo. A expectativa é que os tênis adidas passem a ser produzidos pelas novas fábricas. A unidade de Atlanta funciona com 160 funcionários humanos coordenando toda a operação.

A ideia com as fábricas de robôs é fazer calçados completamente personalizados para a demanda em menos tempo. Nas atuais linhas de produção da adidas, esse processo dura semanas. Ou seja, automatizando a maioria do processo de manufatura, a empresa poderá fazer um par de calçados customizado em aproximadamente cinco horas.

Usando processos como “tricô robótico”, formas avançadas de plástico e impressoras 3D, a adidas planeja fazer sapatos personalizados 90 vezes mais rapidamente do que consegue hoje. A inovação, deseja a empresa alemã, vai permitir que ela continue competitiva mundialmente com a Nike e a Under Armour, que hoje dominam o mercado mundial de produtos esportivos.

Mais de 70% das vendas da adidas vêm de produtos com menos de um ano de produção. Apesar de ser apenas o começo da construção de fábricas equipadas inteiramente com robôs, a capacidade de fazer produtos em demanda, em oposição à criação de grandes estoques de inventário, poderia inverter e descentralizar os processos de produção dos sapatos.