* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Ao acionar o dispositivo de Garantia de Lei e da Ordem (GLO), que colocou as Forças Armadas para controlar os distúrbios na Esplanada dos Ministérios, o presidente Michel Temer não fez nada mais (nem menos) que sua obrigação. O artigo 142 da Constituição estabelece ao Exército, Marinha e Aeronáutica o dever de defender a Pátria e garantir a manutenção dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Errados estiveram aqueles que, em momentos de necessidade, por razões ideológicas ou quaisquer outras, não aplicaram esse recurso ou impediram as forças auxiliares –  representadas pelas polícias estaduais – de cumprirem suas missões em conformidade com os manuais de procedimento. Convém lembrar, no entanto, que a GLO, lastreada na Constituição e normatizada pela Lei Complementar n° 97, de 1999, já foi acionada por 30 vezes, inclusive pelos governos petistas, na Copa do Mundo, Olimpíadas e até no leilão do Pré-Sal. E nessas épocas, os que hoje criticam a atitude de Temer, nada disseram. Até porque, como agora, nada há para dizer.

Se tivesse assistido passivamente aos vândalos incendiarem os prédios dos ministérios e nada fizesse, o presidente poderia acrescentar a omissão ao imenso rosário de problemas que atribulam seu governo. Causa espécie ver figuras da oposição – que jamais poderão alegar ignorância – falsear a verdade e acusar o governo de atentar contra a democracia ao colocar o Exército na rua. Em vez de criticar a ação, esses senhores e senhoras deveriam ser mais cautelosos ao apoiar os que à titulo de manifestação fazem a baderna e a destruição do patrimônio público e privado. Os manifestantes da linha de frente, que confrontam a polícia, podem ser apenas os inocentes úteis, mas seus mentores devem ter planos e se estes conseguirem estabelecer o caos, talvez só mesmo o emprego da força possa contê-los e, até, arranhar a democracia. Isso seria ruim para todos.

É preciso acabar com o sofisma e a hipocrisia. Os que querem impedir Michel Temer de continuar exercendo o mandato, que o tentem com questões concretas. Não com a prática ilusionista do discurso mistificador. Seus seguidores e ele próprio também precisam ter compostura e não recorrerem à mentira, embora esta seja mais sedutora do que a verdade nua e crua. O Brasil vive hoje o resultado de douradas inverdades passadas ao povo por anos seguidos. A máscara dos mistificadores vem caindo e suas verdadeiras faces, finalmente, aparecem para a população.

Todo o mal e o sofrimento que o brasileiro tem passado precisa servir, pelo menos, para a correção do curso, o expurgo dos malfeitores de todos os matizes e a busca de novos, prósperos e felizes dias. É mais um ciclo da história se completando…

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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