Com avanço dos não-leitores no Brasil, projeto aposta na “leitura do coração” para engajar os jovens

Dentro do contexto das celebrações do Dia Mundial do Livro (23/04), o incentivo à leitura ganha força em um cenário preocupante. Dados recentes apontam queda no hábito de ler em diferentes partes do mundo. No Brasil, pela primeira vez, o número de não-leitores superou o de leitores, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro.
Diante desse contexto, escolas têm buscado estratégias para reaproximar crianças e adolescentes dos livros. No Colégio Marista Alexander Fleming, em Campo Grande (MS), uma dessas iniciativas é o Clube do Livro, voltado aos estudantes do 6º ao 9º ano, com encontros semanais e participação voluntária.
A proposta é estimular a chamada “leitura do coração”, feita por interesse próprio, complementando os conteúdos obrigatórios trabalhados em sala. “Trabalhamos com os paradidáticos, mas o clube vem para dar espaço à leitura que parte do interesse deles. É um momento em que eles compartilham experiências e incentivam uns aos outros”, afirma o coordenador do Ensino Fundamental Anos Finais, Gabriel Angelo de Souza.
Os encontros acontecem às sextas-feiras e são mediados por uma professora de Língua Portuguesa, responsável por organizar a curadoria das obras com base nas sugestões dos próprios estudantes. A cada trimestre, um livro é escolhido para leitura coletiva, com atividades de encerramento que podem incluir encontros fora da escola, como em cafés ou espaços públicos.
Atualmente, o grupo reúne um número significativo de diferentes séries, o que favorece a troca de experiências entre idades distintas. Entre os títulos mais procurados estão obras de fantasia e investigação, com forte apelo entre o público jovem.
Segundo o coordenador, os impactos do projeto vão além da leitura. “A gente percebe avanço na argumentação, na escrita e no senso crítico. Além disso, há um ganho importante nas habilidades socioemocionais, como escuta, respeito e capacidade de dialogar com opiniões diferentes”, destaca Gabriel.
O engajamento também se reflete fora da escola. Famílias relatam aumento no interesse deles por livros e maior autonomia na escolha das leituras. Em alguns casos, o entusiasmo dos participantes desperta a curiosidade de outros, especialmente entre os que ingressam nos anos finais.
A mudança também é percebida dentro de casa. Marcelly Menas Garcia Gonçalves, mãe do estudante Théo, do 7º ano, relata que o contato com o Clube do Livro marcou uma virada na relação do filho com a leitura. O estudante, que possui diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), passou a se envolver de forma mais natural com os livros a partir do incentivo a temas de seu interesse.
Segundo ela, o início foi desafiador, com resistência à leitura e pouca conexão com os conteúdos. Com o acompanhamento da professora e a escolha de livros alinhados ao que despertava curiosidade, o processo foi ganhando leveza e consistência. “No começo, ele dizia que estava ali porque foi obrigado, mas hoje é ele quem não quer faltar”, relata.
Com o tempo, os avanços foram se tornando mais visíveis. “A leitura passou a fazer parte da rotina com mais leveza”, completa a mãe. Além da melhora na escrita e ampliação de vocabulário, Théo passou a demonstrar mais segurança para se expressar e compartilhar suas ideias, inclusive em atividades em grupo. Hoje, o hábito de ler já faz parte da rotina do estudante, com reflexos positivos em outras áreas do aprendizado e no interesse pelos estudos de forma geral.
Outro ponto observado pela escola é o equilíbrio no uso da tecnologia. Embora ferramentas digitais sejam utilizadas como apoio para pesquisa, o projeto prioriza o contato com o livro físico, prática associada a maior compreensão e aprofundamento do conteúdo, especialmente em idade escolar.
Além dos encontros semanais, o Clube do Livro se conecta a outras iniciativas pedagógicas, como feiras de troca de livros e produções autorais. Entre os destaques está um projeto inspirado na obra de Manoel de Barros, que culmina em uma noite de autógrafos com textos produzidos pelos participantes.
Com planos de expansão, como a presença de autores convidados e novas atividades literárias, o projeto busca consolidar a leitura como prática contínua entre a turma, em um cenário em que o hábito enfrenta desafios crescentes.
Saiba mais:
O Colégio Marista Alexander Fleming faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 20 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/




















