
Durante Dia de Campo realizado na Estância Retiro do Sertão, em Nova Alvorada do Sul, MS, em abril de 2026 (“Sistema Antecipasto e estilosantes integrando solos arenosos”), o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Barbosa foi enfático em dizer a produtores rurais e técnicos que em área de Sistema Antecipasto “a gente tem segurança de que terá pasto no inverno sem falha”, tanto na Estância Retiro do Sertão, onde os solos são mais arenosos, quanto na Estância Rosa Branca em Rio Brilhante, MS.
No sistema, a soja e o capim são consorciados, com uma diferença de 20 dias de plantio: a soja entra primeiro e depois o capim BRS Tamani. Outros pontos positivos são que a forrageira não compete com a oleaginosa; há redução de plantas daninhas, a palha do capim conserva água no solo, além de ser adequada a solos arenosos e argilosos.
Os animais na área do sistema têm ganho adicional de 3 a 5 arrobas/ha durante a entressafra da soja, além de maior ganho de peso diário. Segundo o engenheiro, no sistema convencional o período de pastejo é de cerca de 100 dias, já no Antecipasto esse tempo é de 150 dias.
O pesquisador Luís Armando Zago Machado, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, responsável pelo projeto que desenvolveu a tecnologia, disse que isso se deve pelo Antecipasto possuir mais resiliência em anos de seca severa, com formação de pasto mesmo em solos arenosos e baixa precipitação durante o outono. “Com as mudanças climáticas, o Sistema Antecipasto dá mais segurança na formação de pastagem, já que o capim é semeado numa época mais favorável que antecede a época convencional, após a colheita da soja”, garantiu.
A solução tecnológica foi validada em duas propriedades em 2020, sendo uma em Rio Brilhante e outra em Anaurilândia, MS. O Sistema Antecipasto está em três fazendas do grupo JB Apec e somam cerca de 350 hectares que iniciou juntamente com o projeto da Embrapa e hoje conta com seis anos de adoção da tecnologia. Conforme relatou Barbosa, as propriedades são integradas para cria, recria e terminação. “Em outras áreas, já tivemos falta de pasto no inverno e o que nos salvou foi o Sistema Antecipasto”, já que o capim semeado após a cultura da soja não se estabeleceu por falta de chuva.
Os pesquisadores Zago e Rodrigo Arroyo Garcia destacaram que o engenheiro Carlos Eduardo Barbosa e o agropecuarista das fazendas, Jarbas Barbosa, “foram fundamentais para validação e ajustes da tecnologia”. Carlos Eduardo agradeceu “a parceria de longa data com a Embrapa. E mais do que mudança técnica, foi uma mudança de cultura”, disse. Produtores rurais de outros estados também estão adotando o sistema desde 2024: Mato Grosso (500 hectares), Bahia (1.500 hectares) e Roraima, com expectativa de expansão nacional.
A cultivar mais utilizada hoje no Sistema Antecipasto é a BRS Tamani, forrageira que já está consolidada no mercado e apresenta bom desempenho em consórcio com a soja. “Para evitar erros, é importante usar a semente pura, sem revestimento”, salientou Zago. Além desta cultivar, são adequados a este Sistema os capins BRS Paiaguás, Aruana e Massai. Entre os critérios para a escolha da cultivar de soja estão a oferta de diversas empresas, transgenia a herbicidas, época de semeadura, população de plantas, entre outras. Segundo o pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, o pastejo pode ser antecipado de 30 a 60 dias, comparado ao sistema convencional de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). “De 30 a 40 dias após a saída da soja, já é possível entrar com o gado no pasto”.
Garcia enfatizou a importância da diversificação do sistema de produção o ano inteiro para melhorar a condição natural de solos com menor potencial de armazenar água com boas práticas. “A presença do capim é fundamental, seja o [BRS Tamani] do Sistema Antecipasto, seja o da braquiária na ILP, tanto pela parte aérea quanto pela de raiz. E se entrar estilosantes também é fantástico”, disse.
O Sistema Antecipasto, segundo Garcia, também pode ser utilizado para produção de palha, em regiões onde não há pecuária e o solo com limitações, viabilizando o Plantio Direto.
Estilosantes – em uma das estações do Dia de Campo, o pesquisador Celso Dornelas Fernandes, da Embrapa Gado de Corte, falou sobre as cultivares de estilosantes Campo Grande e Bela (lançamento da Embrapa), leguminosas adequadas tanto para alimentação animal como para cobertura de solos. De acordo o pesquisador, se o estilosantes for utilizado para formação de banco de proteína, o animal não deve pastejar somente esta leguminosa. “É necessário que o animal tenha acesso a gramíneas” ou formar uma pastagem consorciada com estilosantes e capim. Ambos são opções para melhorar as condições de solo para a agricultura, principalmente em locais de solos arenosos.
Maquinário – em outra estação, foi apresentada por Cristiano Taufer, gerente da Pantanal Peças e Implementos Agrícolas, uma semeadora para sementes pequenas adequada ao Sistema Antecipasto. “Desde 2017, estamos juntos com a Embrapa no desenvolvimento do maquinário para o Sistema Antecipe. Em 2019, lapidamos as máquinas do Antecipe para o Antecipasto e buscamos parceiros para os ajustes necessários”, explicou. Segundo ele, a máquina é 100% aparafusada para ser ajustada conforme a realidade da região. “E a máquina serve não somente para o Antecipasto”, garantiu.



