No total, mais de 30 pessoas foram indiciadas sob suspeita de uso indevido da estrutura da Abin para monitorar ilegalmente ministros do STF, deputados, jornalistas e outras autoridades públicas. A PF aponta que o esquema operava à margem dos procedimentos legais da inteligência oficial.
Ramagem é apontado como o principal articulador do sistema clandestino. Durante sua gestão na Abin, ele teria coordenado diretamente o uso irregular do sistema de geolocalização israelense FirstMile, adquirido pela agência. A ferramenta permitia rastrear até 10 mil celulares por ano e foi amplamente usada em 2021, ano pré-eleitoral.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi indiciado por ter conhecimento da estrutura ilegal e, segundo o relatório, ter se beneficiado dela politicamente. A PF ainda afirma que ele não tomou medidas para encerrar a prática, o que reforça sua responsabilização.
Carlos Bolsonaro, por sua vez, é acusado de liderar o “gabinete do ódio”, que teria utilizado informações colhidas pela Abin paralela para impulsionar ataques virtuais contra opositores. A ação incluía produção e disseminação de desinformação e conteúdo difamatório em redes sociais.
Outro ponto grave apontado pela PF foi a tentativa de obstrução das investigações. Durante buscas, servidores da Abin ocultaram computadores posteriormente localizados, o que agravou a situação da atual cúpula da agência no inquérito.
Uma das provas-chave é um áudio de reunião de 2020, divulgado no ano passado, onde Bolsonaro, Ramagem e advogadas de Flávio Bolsonaro discutem como monitorar auditores da Receita Federal envolvidos nas investigações do caso das “rachadinhas” no gabinete de Flávio.
Na reunião, Ramagem sugere instaurar processos administrativos para afastar os auditores. Bolsonaro, segundo ele, teria rechaçado qualquer “jeitinho”. Já Flávio classificou a gravação como inofensiva e disse que a investigação tenta apenas “prejudicar sua família com viés político”.
Em rede social, Carlos Bolsonaro ironizou o indiciamento e afirmou que a PF estaria agindo por motivação política e de olho nas eleições de 2026. O relatório agora será avaliado pelo STF, que decidirá sobre possíveis medidas judiciais e futuras denúncias.





















