quinta-feira, 30 - abril - 2026 : 14:14

“Abin Paralela”: PF conclui inquérito e indica Bolsonaro, Ramagem e Carlos Bolsonaro por espionagem ilegal

Mais de 30 são indiciados por uso ilegal da Abin para espionar autoridades e ministros do STF

A Polícia Federal concluiu o inquérito que apura o uso ilegal de sistemas de monitoramento dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e encaminhou o relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação, conhecida como caso da “Abin Paralela”, aponta um esquema clandestino de espionagem com participação de figuras de alto escalão do governo anterior.
Segundo a CNN Brasil, entre os indiciados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que dirigiu a Abin no período investigado, e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. Também foram responsabilizados integrantes da atual direção da Abin, incluindo o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa.

No total, mais de 30 pessoas foram indiciadas sob suspeita de uso indevido da estrutura da Abin para monitorar ilegalmente ministros do STF, deputados, jornalistas e outras autoridades públicas. A PF aponta que o esquema operava à margem dos procedimentos legais da inteligência oficial.

Ramagem é apontado como o principal articulador do sistema clandestino. Durante sua gestão na Abin, ele teria coordenado diretamente o uso irregular do sistema de geolocalização israelense FirstMile, adquirido pela agência. A ferramenta permitia rastrear até 10 mil celulares por ano e foi amplamente usada em 2021, ano pré-eleitoral.

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi indiciado por ter conhecimento da estrutura ilegal e, segundo o relatório, ter se beneficiado dela politicamente. A PF ainda afirma que ele não tomou medidas para encerrar a prática, o que reforça sua responsabilização.

Carlos Bolsonaro, por sua vez, é acusado de liderar o “gabinete do ódio”, que teria utilizado informações colhidas pela Abin paralela para impulsionar ataques virtuais contra opositores. A ação incluía produção e disseminação de desinformação e conteúdo difamatório em redes sociais.

Outro ponto grave apontado pela PF foi a tentativa de obstrução das investigações. Durante buscas, servidores da Abin ocultaram computadores posteriormente localizados, o que agravou a situação da atual cúpula da agência no inquérito.

Uma das provas-chave é um áudio de reunião de 2020, divulgado no ano passado, onde Bolsonaro, Ramagem e advogadas de Flávio Bolsonaro discutem como monitorar auditores da Receita Federal envolvidos nas investigações do caso das “rachadinhas” no gabinete de Flávio.

Na reunião, Ramagem sugere instaurar processos administrativos para afastar os auditores. Bolsonaro, segundo ele, teria rechaçado qualquer “jeitinho”. Já Flávio classificou a gravação como inofensiva e disse que a investigação tenta apenas “prejudicar sua família com viés político”.

Em rede social, Carlos Bolsonaro ironizou o indiciamento e afirmou que a PF estaria agindo por motivação política e de olho nas eleições de 2026. O relatório agora será avaliado pelo STF, que decidirá sobre possíveis medidas judiciais e futuras denúncias.

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