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26 de agosto de 2013 às 10:05.

Nematoides podem ser usados no controle da Helicoverpa armigera

Estudos apontam que os nematoides entomopatogênicos, sendo vermes que parasitam insetos, podem ser utilizados no controle da Helicoverpa armigera, uma vez que a lagarta tem uma fase de vida no solo. Os resultados dessas pesquisas foram apresentados no XXXI Congresso Brasileiro de Nematologia, que aconteceu no Cenarium Rural, em Cuiabá (MT).
Sendo vermes que parasitam insetos os nematoides entomopatogênicos podem ser utilizados no controle da Helicoverpa armigera uma vez que a lagarta tem uma fase de vida no solo Nematoides podem ser usados no controle da Helicoverpa armigera

Sendo vermes que parasitam insetos, os nematoides entomopatogênicos podem ser utilizados no controle da Helicoverpa armigera, uma vez que a lagarta tem uma fase de vida no solo - Divulgação

Até hoje os nematoides sempre foram considerados ‘vilões’ das lavouras, pelos estragos e perdas que provocam. Mas os especialistas desenvolvem trabalhos no sentido de transformá-los em uma solução complementar, como uma forma de controle biológico, para o combate a alguns insetos praga – entre eles a Helicoverpa armigera.

Algumas espécies dos chamados nematoides entomopatogênicos possuem uma associação mutualística com bactérias que resulta na morte rápida dos insetos que parasitam. Assim, podem ser utilizadas como controle biológico, associado a outras ferramentas de manejo, que farão o combate das pragas de solo e de insetos pragas da parte aérea que atravessam parte do seu ciclo biológico no solo.

Luís Leite, pesquisador do Instituto Biológico, defende que este tipo de controle tem como vantagem a possibilidade de criação massal in vitro, o que reduz os custos e não traz problemas de compatibilidade com muitos defensivos químicos e biológicos. Além da Helicoverpa armigera, podem ser combatidos por este grupo de nematoides também o bicudo da cana-de-açúcar, a cigarrinha, o gorgulho-da-goiaba, a broca do cupuaçu e do cacau e a broca-da-coroa-foliar do dendezeiro.

Para que essas tecnologias possam evoluir e ser disponibilizadas em larga escala, é preciso maior associação entre instituições, empresas e produtores. “Existe demanda, mas a pesquisa precisa trabalhar em parceria com empresas e produtores. É difícil criar patógenos do solo. É difícil criar nematoides em áreas de pesquisa. Precisa de áreas maiores para produzir”, afirma Luís Leite.

O pesquisador Fábio Schmidt, da Bio Controle, alerta que o cultivo destes nematoides em meio sólido é difícil e tem custos elevados. Por isso estão sendo feitos experimentos para a produção destes nematoides em meio líquido, o que permitirá maior escala de produção e melhor viabilidade econômica.

O pesquisador da Universidade de Keil na Alemanha, Ralf-Udo Ehlers, aponta outro desafio para a utilização desta forma de controle biológico: a logística. Segundo ele, para a viabilização do uso destes nematoides entomopatogênico nas extensas lavouras brasileiras, será necessário desenvolver um sistema diferenciado para produção e comercialização, uma vez que o tempo de prateleira do produto, atualmente, é proibitivo.

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