Dourados, MS, quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012.

Publicada quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012, às 17:01

Intoxicados em curtume de Bataguassu poderão ter sequelas

Atingidos por gás tóxico poderão ter asma ou bronquite, diz secretário.

Médicos em Bataguassu farão monitoramento dos intoxicados.

A maioria dos funcionários que recebeu atendimento após intoxicação em um curtume em Bataguassu, a 335 km de Campo Grande, apresentava irritação das vias respiratórias e confusão mental. A rede de saúde da cidade, com pouco mais de 19 mil habitantes, foi mobilizada para atender os atingidos no acidente, em que 21 tiveram que ser hospitalizados após uma reação química, ocorrida na terça-feira (31).

População acompanhava movimento em hospital - Foto: OIlair Nogueira/Bataguassu News

População acompanhava movimento em hospital - Foto: OIlair Nogueira/Bataguassu News

O secretário de Saúde em Bataguassu, José Sebastião de Andrade Jr, disse ser possível que alguns dos intoxicados ainda tenham que conviver com doenças respiratórias para o resto da vida. “Pode haver doenças como asma e bronquite, faremos o acompanhamento de todos pacientes, mesmo aqueles que tiveram sintomas mais leves”.

No acidente, resultante de reação química, 4 funcionários morreram e outros 28 foram intoxicados. Deste total, 21 foram hospitalizados e, destes, 3 permanecem internados no hospital em Presidente Prudente (SP), em estados que ainda inspiram cuidados.

Andrade contou que, no dia do acidente, os médicos e enfermeiros que atendem no posto de saúde da cidade foram deslocados para auxiliar no atendimento feito na Santa Casa. Os funcionários chegavam de ambulância e carros particulares, todos que passavam por perto eram acionados para que pudessem fazer o transporte, uma distância de aproximadamente 5 km entre o complexo frigorífico e o hospital.

No total, 7 médicos e 22 profissionais de enfermagem faziam o atendimento, iniciado com a triagem. “Um dos funcionários precisou ser reanimado”, lembra o secretário. Na ambulância, os bombeiros fizeram a pressão mecânica no tórax de reanimação e, no hospital, o paciente foi estabilizado.

Segundo Andrade, vários relatavam uma sensação de queimação nas vias respiratórias. O gás sulfídrico, resultando da reação química do agente à base de sulfidrato de sódio e uma substância ainda desconhecida, causou irritação aguda e inchaço das vias, causando asfixia. Alguns tiveram que ser entubados, pois o inchaço não permitia a passagem de ar.

Alguns funcionários ainda receberam soro para reidratação, depois que sentiram mal-estar e vomitaram.

O secretário disse que os funcionários do curtume vão ter acompanhamento pela rede pública, além do que deve ser feito pela empresa. A assessoria da Marfrig informou que os funcionários serão submetidos a exames, mas não detalhou quando e quais avaliações serão feitas.

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as causas do acidente. Nesta quinta-feira (2), três pessoas devem ser interrogadas. Amostras foram recolhidas por técnicos do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul e da equipe do Corpo de Bombeiros, que serão analisadas pela perícia técnica. Não há prazo para divulgação do resultado destas avaliações. (G1 – MS)

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