Trinta e nove comerciários de Campo Grande ganharam na justiça R$ 51 mil da rede de lojas Feirão dos Calçados, por terem sido registrados em carteira de trabalho como “serviços gerais” e não na profissão que exerciam (comerciários). O dinheiro, autorizado pela justiça, foi repassado ao Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande – SEC/CG, autora da ação impetrada em 2010, que efetuou ontem (16) à noite o repasse integral a cada um dos trabalhadores.
A maioria deles já deixou a empresa onde a justiça constatou outras irregularidades como o não pagamento de horas extras. Cada um dos contemplados pela ação recebeu valores variados, de acordo com tempo de serviço, número de horas extras cujos pagamentos foram sonegados e outros, informa Idelmar da Mota Lima, presidente do SEC/CG. O pagamento mínimo foi de R$ 300,00 e ouve até quem ganhou R$ 2.040,00.
“O importante é que todos se sentiram vitoriosos e não apenas pelo valor, que é significativo como também pelo valor simbólico da ação.
Significa que eles não estão sós e que vale a pena lutar pelos seus direitos. Ter esperança!”, comentou o sindicalista.
A diretoria do sindicato reuniu os 39 contemplados com a ação ontem à noite na sede do sindicato. Na oportunidade ela comentou sobre o trâmite da ação e aproveitou a oportunidade para conclamar a todos para continuarem perseverantes na vida e lutarem sempre pelos seus direitos. Estavam presentes, além de Idelmar, o vice-presidente do sindicato, Nelson Benitez e os diretores: Rubia Santana, André Luiz S.Garcia e Apolônio Aires de Souza.
Idelmar explicou que foram os próprios comerciários que procuraram o sindicato para denunciar irregularidades na empresa com relação ao pagamento de horas extras. Os diretores foram ao local e somente depois constataram o problema do registro em carteira como “serviços gerais”. A entidade ainda tentou contornar amigavelmente, mas a empresa não quis e daí a ação impetrada na justiça.
Gracielly Maidana, uma das beneficiadas com a ação, recebeu R$ 1.650,00. Ela disse que ficou surpresa com o desfecho do caso e disse:
“Esse dinheiro veio em boa hora. Estou muito feliz e agora não tenho dúvida de que quando estamos com razão devemos lutar até o fim por nossos direitos”, comentou. Ela trabalhou um ano e sete meses em uma das três lojas Feirão dos Calçados.
Outra contemplada foi Gislaine Fernandes, que trabalhou na empresa durante um ano e meio. Recebeu com a ação o valor de R$ 580,00. “Como não contava com esse dinheiro, ele será muito bem vindo e bem aplicado. Agradeço ao sindicato por ter lutado por nós e conseguido esse benefício. Espero que nosso exemplo sirva para outros que estão sofrendo o mesmo que passamos”, comentou.
Propagação – A diretoria do Sindicato dos Empregados no Comércio pediu aos comerciários – a maioria está atuando em outros estabelecimentos, para que sejam propagadores desse benefício que a justiça pode conceder a todos aqueles que estejam sendo lesados financeiramente nas empresas que atuam. “Infelizmente esse é um problema que existe em quase todos os mercados. É o empresário, querendo, muitas vezes, tirar vantagens dos empregados sem recompensá-los devidamente”, afirmou.