Na década de 90, o contingente de brasileiros que se autodeclararam indígenas aumentou 150%, num ritmo anual quase seis vezes maior que o da população em geral. à‰ o que revela a pesquisa "Tendências Demográficas: uma Análise dos Indígenas com Base nos Resultados da Amostra dos Censos Demográficos 1991 e 2000", divulgada nesta terça-feira pelo IBGE.
Segundo o censo, em 1991, o percentual de indígenas em relação à população total brasileira era de 0,2%, ou 294 mil pessoas no país. Em 2000, o número subiu para 734 mil pessoas ou 0,4% dos brasileiros. Um crescimento absoluto, no período entre censos, de 440 mil indivíduos ou um aumento anual de 10,8%, a maior taxa de crescimento dentre todas as categorias de cor ou raça.
Para a Funai, a população de índios no País é estimada em 345 mil. Segundo o IBGE, os números do censo são complementares.
O IBGE aponta como algumas possibilidades para o fenômeno: a imigração de índios dos países limítrofes que têm alto contingente de população indígena, como Bolívia, Equador, Paraguai e Peru; e o aumento da proporção de indígenas urbanizados que optaram por se declarar indígenas no censo 2000 e que anteriormente se classificavam em outras categorias, incluindo aí pessoas que não se identificam com etnias específicas.
Maioria vive nas cidades
A pesquisa revela também que a maioria daqueles que se declaram indígenas não vive mais nas zonas rurais. De acordo com o Censo, em 1991, o Brasil possuía 223 mil indígenas nas zonas rurais (76,1% do total). Em 2000, 383 mil, ou 52% dos indígenas residiam em zonas urbanas. Segundo o IBGE, essa aparente urbanização pode ser explicada pela maior autodeclaração nas regiões Sudeste e Nordeste, que têm menor número de terras indígenas homologadas e onde ocorreram, nas últimas décadas, importantes movimentos de reemergência étnica indígena. Por outro lado, nas regiões em que há maior número de terras indígenas, como no Norte e Centro-Oeste, a maioria dos indígenas continua na área rural.
A região Norte ainda é a que concentra o maior número de indígenas, mas apresentou o menor ritmo de crescimento anual, tendo sua hegemonia reduzida devido aos aumentos das populações indígenas no Nordeste e do Sudeste.
Em 2000, residiam no Norte 29,1% da população autodeclarada indígena, enquanto em 1991 essa proporção era de 42,4%. Na região Sudeste, o número de pessoas que se autoclassificaram como indígenas subiu de 30,5 mil, em 1991, para 161,2 mil, em 2000. Já no Nordeste, as pessoas identificadas como indígenas passaram de 55,8 mil, em 1991, para 170 mil em 2000.
No que diz respeito à religião dos índios, o levantamento mostra que, em 1991 e em 2000, a maioria continua católica, mas o porcentual de católicos entre os índios caiu. Em 1991 era da ordem de 64,3%. Já em 2000, diminuiu para 58,9%. Dos 41,1% de declarações restantes em 2000, 20% eram evangélicos; 14,4%, sem religião e somente 1,4%, adeptos das chamadas tradições indígenas.
Avanços
Os indígenas apresentaram avanços nos indicadores educacionais, mas ainda continuam abaixo da média para a população em geral. A taxa de alfabetização, que estava abaixo de 50% em 1991, subiu para 73,9%, em 2000. No mesmo período, para a população brasileira de 15 anos ou mais de idade em geral, a proporção de alfabetizados passou de 79,9% para 86,4%. Já o número de indígenas de 5 a 24 anos na escola, passou de 29,6%, em 1991, para 56,2%, em 2000. No País, o índice era de 68,3%, em 2000.
Também de acordo com o censo de 2000, a mortalidade infantil dos indígenas (51,4 por mil nascidos vivos) continua bem mais elevada que a da população brasileira em geral (30,1 por mil).
Apesar do crescimento da população indígenas, o Censo verificou que, tal como ocorreu para o conjunto do país, a fecundidade das mulheres indígenas também diminuiu. A queda foi de quase 30% entre 1991 e 2000, quando ficou em pouco menos de quatro filhos. Entre os indígenas casados, a proporção de unidos no civil e religioso aumentou de 17,5% para 25,0% entre 1991 e 2000, e a de casados somente no civil, de 13,7% para 17,9%. Já as uniões apenas religiosas acompanharam a tendência geral de queda, diminuindo de 18,3% para 10,2%.
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