Em um intervalo de cinco dias na semana passada, o presidente venezuelano Hugo Chávez sinalizou mudanças de postura sobre três questões cruciais para o seu governo: desistiu de apoiar a luta armada dos terroristas das Farc na Colômbia; revogou a Lei de Inteligência decretada por ele próprio, que transformaria a Venezuela em um estado policial similar a Cuba; e chamou empresários para lançar um pacote de medidas econômicas, muitos dos quais donos de fábricas que no passado ele ameaçara expropriar.
O que explicaria as mudanças no discurso do coronel de Caracas? Uma reportagem de VEJA desta semana tem a resposta: a perda de apoio popular. Desde o fim de 2007, o índice de aprovação do presidente venezuelano caiu 20 pontos porcentuais. Apesar de a Venezuela dispor de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a inflação disparou e faltam produtos básicos nas prateleiras. Depois de derrotado no plebiscito do ano passado, Chávez enfrenta o desafio de eleições para deputados, governadores e prefeitos marcadas para novembro.
O apoio às Farc – cuja profundidade foi exposta em documentos encontrados nos computadores de Raúl Reyes, chefe das Farc morto pelo Exército colombiano, em março – é um fator negativo. Sete em cada dez venezuelanos consideram o grupo como terrorista. "Chávez resolveu tomar distância das Farc porque, do contrário, sabe que afundaria com elas", disse a VEJA Luis Vicente de León, diretor do instituto de pesquisas de opinião Datanalisis, em Caracas.
Fonte: Veja Online

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